A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), realizou uma operação na manhã desta sexta-feira (11) na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul. A ação ocorreu no gabinete do vereador Wagner Petrini (PSB), atual presidente do Legislativo.
Informações preliminares apontam que a investigação apura crimes relacionados à agiotagem, extorsão, organização criminosa e associação com o tráfico de drogas. Contudo, até o momento não há nenhuma informação de que o vereador seja um dos investigados. O advogado de defesa, Vitor Hugo Gomes, confirmou que acompanhou Petrini na delegacia pela manhã.
Em coletiva de imprensa no início da tarde desta sexta, na sala da presidência, Petrini contou que foi pego de surpresa pela operação, que, de acordo com ele, está acontecendo desde outubro do ano passado. Ele explicou que foi incluído no processo de busca, devido a um ex-assessor, que foi exonerado em 2024.
Ele jurou que não tem nenhuma ligação ou envolvimento com a investigação. Garantiu que facilitou a operação da polícia e que nenhum material foi apreendido no gabinete. Informou ainda que foi convidado a ir até a delegacia prestar esclarecimentos e que foi com o próprio carro.
O presidente do Legislativo reclamou da operação no meio do período eleitoral, no qual é candidato a deputado estadual. Disse que diante do fato, a campanha será prejudicada. Ele ainda citou que outro episódio que envolvia o nome dele também foi registrado na campanha de 2024.
O vereador apontou que o ex-assessor foi exonerado na época, mas que fora da Casa, ele responde pelos atos sozinho. Ele admitiu que o ex-assessor trabalhava na campanha, por convite seu, mas que, diante do ocorrido, não ocupará mais o cargo.
Sobre a contratação para a campanha, Petrini justificou que, para se eleger, é preciso de uma grande equipe e que não é possível saber a ficha de cada um que está trabalhando.
A reportagem da Rádio Caxias procurou a Polícia Civil, mas ainda não foram divulgados oficialmente mais detalhes sobre a operação.
A Polícia Civil se manifestou por meio de nota por volta das 16h desta sexta-feira e detalhou o andamento da Operação Venner.
Confira a nota na íntegra:
“Na manhã desta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Caxias do Sul, com o apoio de diversas delegacias da regional de Caxias do Sul e do 12º BPM, deflagrou nova fase da Operação Veneer, destinada à desarticulação de uma organização criminosa investigada pela prática de agiotagem, extorsão e outros delitos correlatos. A investigação teve início em 2025 e foi significativamente ampliada após o cumprimento da primeira fase da operação, em abril daquele ano. O aprofundamento das diligências permitiu identificar novos integrantes e colaboradores e compreender a estrutura utilizada pelo grupo para a concessão, administração e cobrança de empréstimos ilegais. Os elementos reunidos apontam para uma organização estruturada, estável e permanente, com atuação principalmente em Caxias do Sul.
Segundo a investigação, o grupo operava parte das atividades sob um nome comercial relacionado a serviços financeiros, concedendo empréstimos com juros abusivos, inclusive na modalidade conhecida como “gota a gota”, caracterizada pela cobrança de parcelas diárias. A apuração também identificou indícios de utilização de ameaças, intimidação e outros meios coercitivos para pressionar devedores e assegurar o pagamento dos valores. A estrutura investigada contava com pessoas responsáveis pela administração dos empréstimos, captação de clientes, disponibilização de recursos e realização das cobranças. Também foram identificados cobradores que atuavam diretamente junto aos devedores, dentro de uma dinâmica organizada de controle das dívidas e das rotas de cobrança. Os elementos reunidos durante a investigação indicam divisão de tarefas e atuação coordenada entre os integrantes.
As diligências desta sexta-feira consistiram no cumprimento de vinte mandados de busca e de apreensão em endereços vinculados aos investigados e também em gabinete na Câmara Municipal de Caxias do Sul, 07 mandados de prisão preventiva, sendo capturados até o momento 04 homens (idades de 36, 43, 42 e 51 anos) e diversas medidas cautelares de bloqueio de contas e de veículos que somam o montante de R$ 500.000,00. Durante as diligências foi efetuada a prisão em flagrante de um dos homens capturados em posse de munições de calibre 9mm, calibre 12 e de uma granada indoor.”



