A Justiça autorizou o processamento do pedido de recuperação judicial da Sorvelândia, tradicional fabricante de sorvetes de Caxias do Sul, fundada em 1970. A medida tramita na Vara Regional Empresarial de Caxias do Sul e busca permitir a reorganização financeira da empresa, com a preservação das atividades, dos empregos e das relações com fornecedores e clientes.
O processo aponta cerca de R$ 13,4 milhões em créditos sujeitos à recuperação judicial. Considerando outras obrigações da companhia, inclusive aquelas que não necessariamente entram no processo de recuperação, o passivo declarado chega a aproximadamente R$ 80 milhões.
Segundo a documentação apresentada à Justiça, a dificuldade financeira resulta da combinação de fatores como aumento da concorrência, redução das margens, sazonalidade do setor, impactos da pandemia, encarecimento de crédito e alta nos custos de matérias-primas e energia. As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 também são apontadas entre os fatores que agravaram o cenário.
Apesar das dificuldades de liquidez, a empresa sustenta que mantém sua estrutura produtiva, marca, carteira de clientes, fornecedores e capacidade de geração de receita. A operação também depende da manutenção da chamada cadeia de frio, com câmaras refrigeradas, freezers e outros equipamentos indispensáveis à fabricação, armazenamento e comercialização dos produtos.
Com o deferimento, começa agora uma nova etapa do processo. Segundo a advogada empresarial Aline Ribeiro, responsável pela condução do processo, a empresa terá 60 dias, conforme a Lei de Recuperação Judicial, para apresentar um plano com as medidas destinadas à reorganização das dívidas. Depois disso, os credores poderão analisar e se manifestar sobre as condições propostas.
A advogada destaca que a recuperação judicial busca criar condições para a continuidade de uma empresa que possui mais de cinco décadas de atuação. A expectativa é reorganizar o passivo de acordo com a capacidade financeira da Sorvelândia e preservar a atividade econômica enquanto são discutidas as condições de pagamento aos credores.



