A Secretaria de Gestão Estratégica e Finanças de Caxias do Sul realizou nesta quinta-feira (28) a prestação de contas referente ao primeiro quadrimestre de 2026. Apesar do resultado consolidado apontar um superávit de cerca de R$ 211 milhões, o secretário da pasta, Micael Meurer, afirmou que o cenário exige cautela e revelou que o município projeta dificuldades para fechar as contas até o final do ano sem recorrer a empréstimos.
Segundo Meurer, o resultado positivo apresentado no balanço engloba dados consolidados da Prefeitura, do Samae e do IPAM, além de recursos vinculados que possuem destinação específica e não podem ser utilizados livremente pela administração municipal.

Durante a audiência pública, a equipe técnica da secretaria destacou que boa parte das receitas mais expressivas do ano já ingressou nos cofres municipais, especialmente os pagamentos em cota única do IPTU e da taxa de coleta de lixo. Conforme o secretário, essa concentração de arrecadação no início do ano contrasta com o aumento gradual das despesas ao longo dos meses.
O secretário ressaltou que o município passa por um momento de dificuldade financeira e orçamentária, apesar de considerar que a economia de Caxias do Sul segue aquecida. A administração já iniciou uma revisão de contratos, despesas e investimentos dentro do decreto de contenção de gastos anunciado em abril.
Meurer também confirmou que a Prefeitura estuda a contratação de empréstimos para conseguir honrar obrigações até o fim do ano. Conforme a projeção atual da administração, se nenhuma medida adicional for tomada, o déficit pode ultrapassar R$ 250 milhões até dezembro. O secretário explicou que os financiamentos poderão ser utilizados para investimentos, obras e despesas específicas permitidas por lei, mas não para pagamento de folha salarial.
A proposta deverá ser encaminhada futuramente à Câmara de Vereadores. O secretário também comentou sobre a dívida histórica envolvendo o caso Magnabosco. Segundo ele, a Prefeitura mantém o interesse em buscar um acordo com os credores, mas qualquer negociação dependerá da avaliação da capacidade financeira do município para assumir novos compromissos mensais.
