A Câmara dos Deputados aprovou, na noite de quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas em um período de até 14 meses e abre caminho para o fim da escala 6×1. O texto seguirá agora para análise do Senado Federal, enquanto entidades do setor produtivo articulam medidas para tentar adiar a tramitação da proposta.
Representantes empresariais chegaram a se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, solicitando que o debate seja retomado apenas após as eleições de outubro. Em Caxias do Sul, a proposta repercute entre sindicatos patronais e de trabalhadores. O Sindicato dos Metalúrgicos, representado pelo presidente Paulo Andrade, avalia a aprovação como um avanço histórico para os trabalhadores. Segundo Andrade, a redução da carga horária terá impacto direto na categoria metalúrgica, que atualmente já atua em escala 5×2, representando quatro horas a mais de descanso semanal aos trabalhadores. Ele salienta que o momento é de mobilização para que também ocorra aprovação no Senado.
O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs), representado pelo presidente Paulo Scopel, também se manifestou nesta quinta-feira (28), por nota oficial. Conforme a entidade, a aprovação da proposta é acompanhada com atenção e cautela por parte do setor industrial. No comunicado, o Simecs afirma reconhecer a importância do debate sobre qualidade de vida e modernização das relações de trabalho. No entanto, ressalta que mudanças desse porte precisam ser amplamente discutidas e avaliadas tecnicamente junto aos setores produtivos.
A entidade destaca ainda que a indústria brasileira já enfrenta desafios relacionados à elevada pressão operacional, à concorrência internacional e à perda de competitividade. Segundo o sindicato, medidas que impactem diretamente a produtividade, a organização do trabalho e o equilíbrio operacional das empresas podem gerar reflexos sobre investimentos, sustentabilidade dos negócios e manutenção de empregos.
Por fim, o Simecs defende que a tramitação da proposta continue sendo conduzida com responsabilidade, equilíbrio e previsibilidade, levando em consideração tanto a valorização dos trabalhadores quanto a competitividade da indústria nacional. A entidade informou ainda que seguirá acompanhando a discussão no Senado Federal e contribuindo com o debate.
Antes de chegar ao plenário da Câmara, o texto foi aprovado em comissão especial por 34 votos favoráveis e quatro contrários. Votaram contra os deputados Gilson Marques (Novo-SC), Julia Zanatta (PL-SC), Mauricio Marcon (PL-RS) e Osmar Terra (PL-RS). No primeiro turno da votação em plenário, a PEC recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários, além de 18 ausências e uma obstrução. Já no segundo turno, foram registrados 461 votos favoráveis e 19 contrários, com 33 parlamentares ausentes.
NOTA OFICIAL – SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO DE CAXIAS DO SUL (SIMECS)
“O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs) acompanha com responsabilidade e preocupação a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados relacionada ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada semanal de trabalho. O debate sobre qualidade de vida e modernização das relações de trabalho é legítimo e necessário. No entanto, mudanças estruturais dessa dimensão exigem avaliação técnica aprofundada e amplo diálogo com os setores produtivos. A indústria brasileira já enfrenta elevada pressão operacional, forte concorrência internacional e perda de competitividade. Medidas que impactam diretamente produtividade, organização do trabalho e equilíbrio operacional das empresas podem gerar reflexos importantes sobre investimentos, sustentabilidade dos negócios e manutenção dos empregos. O Simecs defende que a discussão siga sendo conduzida com responsabilidade, equilíbrio e previsibilidade, considerando simultaneamente a valorização dos trabalhadores e a competitividade da indústria nacional. Seguiremos acompanhando a tramitação da proposta no Senado Federal e contribuindo de forma construtiva para o debate.“
Atenciosamente
Paulo Scopel
Presidente do Simecs
28/05/2026
