No Dia Nacional do Migrante, celebrado em 19 de junho, Caxias do Sul recebeu o Seminário Estadual “Proteção Social para Migrantes: Direitos, Práticas e Políticas Públicas”, reunindo representantes de instituições, profissionais da assistência social, gestores públicos e comunidade no Teatro Municipal Pedro Parenti. O encontro promoveu discussões sobre os desafios do acolhimento humanitário e o fortalecimento das políticas públicas voltadas à população migrante.
Promovido pelo Centro de Informações ao Imigrante (CIAI), serviço municipal de acolhimento e orientação à população migrante, o seminário também evidenciou a atuação do órgão no fortalecimento das políticas públicas para estrangeiros. Desde a criação, o CIAI já atendeu mais de 8 mil imigrantes de 56 nacionalidades diferentes e residentes em 58 municípios da região Nordeste do Rio Grande do Sul. Apenas em 2026, o centro realizou mais de 600 encaminhamentos para processos de regularização migratória, número que se soma aos 1.400 registros de 2025 e aos 2.640 de 2024, demonstrando a crescente demanda pelos serviços oferecidos.
A programação contou com a participação de Patrícia Siqueira, chefe do Escritório da OIM (Organização Internacional para as Migrações) da ONU Migração, que apresentou um panorama sobre os principais obstáculos enfrentados por migrantes e refugiados no acesso aos direitos básicos e aos serviços públicos.

Durante a palestra, a especialista destacou a importância da proteção social como ferramenta de garantia de direitos e inclusão, enfatizando a necessidade da regularização documental para que os migrantes possam acessar políticas públicas essenciais, como transporte coletivo, serviços de acolhimento e atendimento na área da saúde.
((TAHENA PATRICIA 19-06))
Patrícia também chamou atenção para situações de vulnerabilidade que atingem essa população, como o contrabando de imigrantes, ressaltando a necessidade de fortalecer mecanismos de prevenção, proteção e atendimento especializado. Segundo ela, a construção de políticas públicas eficientes passa pelo reconhecimento das especificidades dos diferentes grupos migrantes.
Entre os desafios apontados estão as barreiras linguísticas, as diferenças culturais, a dificuldade de acesso à informação, o desconhecimento sobre direitos e deveres e os procedimentos relacionados à deportação. A palestrante destacou ainda que aspectos culturais, como a culinária e as tradições dos países de origem, devem ser valorizados como instrumentos de integração e de promoção do respeito à diversidade.
A escolha de Caxias do Sul para sediar o seminário fortalece a trajetória do município como um território marcado pelos movimentos migratórios. Historicamente moldada pela imigração italiana a partir do século XIX, a cidade consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos principais polos de atração migratória da Região Sul do país.
Atualmente, o município acolhe comunidades de venezuelanos, além de migrantes e refugiados provenientes de países como Gana, Colômbia, Cuba e de outras nações sul-americanas e africanas. Inseridos principalmente nos setores da indústria e do comércio, esses grupos contribuem para o desenvolvimento econômico local e ampliam a diversidade cultural de Caxias do Sul, enriquecendo o patrimônio gastronômico, social e imaterial da cidade.
