Com 34 anos eu nunca tinha ido a pé de Caxias do Sul até o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha. Sim, um caso raro para um caxiense e católico. Os motivos são diversos, entre eles, a ausência de preparação física ou apenas receio da falta dela.
Neste ano, o convite surgiu na semana passada, mas logo foi cancelado por imprevistos. Assim, pensei que a escrita seria mantida mais uma vez. Contudo, a oportunidade voltou a surgir e ficou pré-agendada mediante tempo bom.
O relógio despertou às 4h30 de domingo (24). Uma olhada na janela, a ausência da chuva trouxe a certeza de que, desta vez, a romaria iria acontecer.
Saí de casa e passei para pegar uma amiga ainda dos tempos de faculdade. Ela seria a testemunha do meu feito. Por ser uma primeira vez, acabei trapaceando e deixei o carro na região da entrada do Desvio Rizzo, saída para Farroupilha.
Ali, ainda no escuro, depois das 5h30, teve início o percurso. O termômetro marcava 11ºC e o céu estava bastante nublado. E se chovesse? Bom, daí seria tarde.
No caminho, bate-papos sobre a vida, reflexões e momentos de silêncio. Sem maiores percalços chegamos à localidade de Nossa Senhora das Graças, situada aproximadamente na metade da Estrada dos Romeiros. Foi a partir dali que o dia começou a amanhecer e a contemplação do cenário deu energia extra.
Até que chegamos ao pé do famoso último morro. Inicialmente, aparentava ser mais assustador do que de fato era. Contudo, para minha surpresa parecia não ter mais fim e foi de longe o momento mais difícil do trajeto.
Eram 8h15 quando o Santuário finalmente pôde ser visualizado. Gratidão e sensação de dever cumprido. O relógio no pulso marcava 14km e 2h50 de percurso. Mas isso não importa muito. Eu havia conseguido. No Santuário, após a missa, fila para poder encostar na imagem de Nossa Senhora. Logo atrás de mim, uma mulher em prantos lembrou a importância da fé que nos leva até lá. Será que ela agradecia ou pedia por algo?
Após as orações chegou o momento de experimentar o famoso salchipão de Caravaggio. Descobri que não tinha nada de diferente nele, mas que especial era poder saboreá-lo após a penitência.
A volta para casa foi com a fé fortalecida e o sentimento de querer repetir a romaria. Obrigado a Ana pela companhia e desculpas a Caravaggio pela demora. E você, quando foi a última vez que fez algo pela primeira vez?


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