Os impactos da violência de gênero, o avanço de discursos misóginos nas redes sociais e novas medidas legais foram tema de entrevista na Rádio Caxias. A convidada para debater a questão foi a advogada, especialista em direitos das mulheres, Gerusa Ribeiro, que explicou conceitos como:“red pill”, misoginia e vicaricídio.
Durante a conversa, Gerusa destacou que o crescimento de grupos digitais ligados ao movimento red pill exige atenção da sociedade. “Esse conteúdo começa muitas vezes de forma disfarçada, falando de autoestima masculina, carreira e relacionamentos. Mas rapidamente muda para discursos de ódio contra mulheres e de culpabilização feminina”, afirmou.
O que é Red Pill
O termo surgiu no filme The Matrix e foi apropriado por comunidades online. Atualmente, costuma ser associado a grupos que defendem a ideia de que homens estariam sendo prejudicados socialmente.
Segundo Gerusa, parte desses movimentos ultrapassa o debate de comportamento e entra no campo da violência simbólica. “Quando se diz que mulheres perderam valor, que servem apenas para procriar ou que devem ser submissas, isso não atinge uma mulher específica. Atinge todas as mulheres.”
Lei da Misoginia
A especialista também comentou o projeto conhecido como Lei da Misoginia, que tramita no Congresso Nacional e busca criminalizar práticas discriminatórias e discursos de ódio contra mulheres. “Misoginia não é uma opinião isolada. É uma forma estrutural de violência baseada no desprezo e no ódio às mulheres.”
Ela explicou que a proposta pretende dar resposta mais firme do Estado para ataques coletivos e reiterados. “O objetivo é deixar claro para a sociedade o que é aceitável e o que não é.”
Lei do Vicaricídio já está em vigor
Outro ponto abordado foi a recente sanção da Lei do Vicaricídio, que pune crimes em que o agressor atinge filhos, parentes ou pessoas próximas para causar sofrimento à mulher. “Quando o agressor não consegue atingir diretamente a mulher, ele usa alguém próximo para feri-la emocionalmente. Isso agora tem nome e reconhecimento legal.”
Gerusa ressaltou que nomear esse tipo de crime é essencial para o enfrentamento. “Muitas violências existiam, mas sem identificação clara. Quando se reconhece juridicamente, também se fortalece a punição e a prevenção.”
