Neste sábado, 6 de junho, é celebrado o Dia Nacional da Doceira, uma data instituída pela Lei 14.749, sancionada em dezembro de 2023. A homenagem reconhece a importância dos profissionais que preservam receitas tradicionais, geram renda e ajudam a manter viva uma das expressões mais afetivas da cultura brasileira. A escolha da data faz referência ao período em que ocorre a Feira Nacional do Doce, em Pelotas, considerada um dos maiores símbolos da tradição doceira do Rio Grande do Sul.
Por trás dos quindins, brigadeiros, tortas e doces que chegam diariamente às cafeterias, festas e mesas de família, existem histórias de trabalho, persistência e reinvenção. Em Caxias do Sul, uma dessas trajetórias começou há mais de duas décadas, quando uma demissão inesperada abriu caminho para um novo negócio.

Após sofrer um acidente e ser desligado da metalúrgica onde trabalhava, seu Loredino Alves Fernandes, hoje com 68 anos, precisou encontrar uma nova forma de sustentar a família. Com experiência na área comercial e muitos anos atuando com vendas, ele e a esposa, dona Jurema Dal Sant Fernandes, de 61 anos, decidiram apostar na produção de doces caseiros. O negócio começou de forma modesta, em casa, no bairro Vinhedos.
Naquele tempo, o catálogo, segundo eles, cabia em uma folha: quindim, brigadeiro, branquinho, doce de amendoim e bolo inglês. Poucas opções, mas muita disposição para conquistar clientes e abrir espaço em um mercado já bastante concorrido.
O que começou com alguns sabores cresceu junto com a família. Hoje, a doceria produz mais de 20 variedades de doces e mantém uma característica cada vez mais rara: tudo continua sendo feito pela própria família. Além de seu Loredino e dona Jurema, participam da rotina a filha Morgana, o genro Jeferson e até o pequeno Yago, de apenas cinco anos, que já acompanha os avós nas entregas e gosta de ajudar na produção.
Seu Loredino conta que, em alguns momentos da trajetória, a empresa chegou a ter funcionários. Mas, atualmente, a produção voltou a ser totalmente familiar, mantendo a essência que marcou a história do negócio desde o primeiro dia.
A filha Morgana cresceu vendo os pais transformarem ingredientes simples em uma fonte de renda e de realização. Hoje, aos 35 anos, participa de todas as etapas da produção e representa a continuidade de uma história construída com muito trabalho e dedicação.
Enquanto os pais pensam no presente, ela já ajuda a escrever os próximos capítulos da empresa. E a tradição parece ter futuro garantido, o pequeno Yago já demonstra interesse pelo ofício e acompanha de perto a rotina dos avós.
A produção continua sendo artesanal e feita sob encomenda. Os pedidos chegam diariamente e abastecem cafeterias, eventos e clientes particulares de Caxias do Sul, Flores da Cunha, Farroupilha e até Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
Entre tantos sabores, um deles se destaca. Os quindins se tornaram a marca registrada da casa e ajudaram a construir uma clientela fiel ao longo dos anos. Atualmente, a família produz cerca de quatro mil doces e 1.500 salgados por mês.
Para seu Loredino, depois de mais de 20 anos de dedicação, é difícil imaginar outro caminho profissional.
Mas nem tudo é trabalho. Em uma empresa que produz doces o dia inteiro, existe também uma missão importante e bastante disputada: o famoso controle de qualidade.
Afinal, alguém precisa provar se está tudo certo antes de entregar ao cliente. E, segundo seu Loredino, o desafio não é encontrar voluntários para a tarefa, mas sim ter autocontrole para não exagerar.
Mais do que movimentar a economia, os doceiros preservam tradições, fortalecem negócios familiares e espalham afeto em cada receita. Histórias como a da família Fernandes mostram que, muitas vezes, os ingredientes mais importantes não estão escritos no caderno de receitas: são a união, a persistência e o amor pelo que se faz.
