A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (25) a quarta e última fase da Operação Omertà, que investiga há cerca de oito meses uma organização criminosa suspeita de praticar extorsões, sequestros, torturas, cobranças violentas e lavagem de dinheiro na Serra Gaúcha. A ação resultou na prisão de seis pessoas em Caxias do Sul.
Coordenada pela 1ª Delegacia de Polícia de Caxias do Sul, com apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a operação teve início após a identificação de um grupo que utilizava violência, ameaças e intimidação para cobrar dívidas e obter vantagens financeiras ilícitas.
Durante as investigações, os policiais identificaram diversos casos de extorsão envolvendo empresários e moradores da região, principalmente na área central da cidade. Segundo a apuração, comerciantes eram pressionados a realizar pagamentos sob ameaça, e em alguns episódios os criminosos chegaram a efetuar disparos de arma de fogo contra estabelecimentos comerciais. Também foram registrados monitoramento das rotinas das vítimas e intimidações direcionadas a familiares.
Nesta etapa da operação, a Polícia Civil concentrou esforços em um núcleo responsável por extorsões de alto valor e por um esquema estruturado de ocultação de recursos obtidos por meio das atividades criminosas. As investigações apontaram o uso de contas bancárias de terceiros para movimentar valores provenientes dos crimes, dificultando o rastreamento financeiro e buscando dar aparência de legalidade aos recursos.
Os policiais também constataram que a organização possuía estrutura hierarquizada, com divisão de tarefas entre os integrantes. O grupo contava com responsáveis pela coordenação das cobranças, arrecadação de valores, execução das ameaças e gerenciamento financeiro. Parte dos investigados continuava atuando mesmo de dentro do sistema prisional.
As medidas judiciais foram autorizadas pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, com base nas provas reunidas ao longo da investigação.
Além das prisões efetuadas nesta fase, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 8 milhões em ativos financeiros e o sequestro de dois veículos ligados aos investigados. As medidas visam enfraquecer financeiramente a organização, preservar o ressarcimento das vítimas e garantir a efetividade de futuras decisões judiciais.
Com as seis prisões realizadas nesta etapa, a Operação Omertà soma 23 investigados presos. Nas fases anteriores, outras 17 pessoas já haviam sido detidas. Um suspeito segue foragido.
Ao longo dos oito meses de investigação, a operação permitiu esclarecer diversos crimes relacionados a extorsões, sequestros, torturas, ameaças armadas e lavagem de dinheiro, evidenciando a atuação de uma organização criminosa estruturada que utilizava o medo e a violência para obter ganhos financeiros ilegais.
O nome da operação faz referência ao termo italiano “Omertà”, associado ao código de silêncio das organizações mafiosas, simbolizando o ambiente de intimidação imposto às vítimas e testemunhas e a tentativa de impedir a colaboração com as autoridades.
A Polícia Civil destacou que a ação representa mais um avanço no combate às organizações criminosas que atuam na Serra Gaúcha, especialmente aquelas envolvidas em extorsões, violência contra empresários e lavagem de capitais.
