A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está finalizando o processo de consulta sobre a nova concessão da malha ferroviária do Sul. Até o dia 10 de agosto, a agência vai reunir as contribuições recebidas em quatro audiências públicas, realizadas em julho. A proposta da União é dividir em três concessões diferentes os corredores Paraná-Santa Catarina, Mercosul e Rio Grande. No entanto, esse plano sofreu críticas do Codesul, formado pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, além de entidades representativas da sociedade. Inclusive, o plano da União está sendo judicializado.
O secretário de Logística e Transporte do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, afirma que desta forma a concessão não atende a necessidade gaúcha e nem projetos de desenvolvimentos para o futuro. Da forma como está, Magalhães observa que as linhas que passam pelo Estado – Mercosul e Rio Grande – não cruzam pelos principais polos produtivos gaúchos.
A primeira opção do Codesul é utilizar o financiamento do BRDE para produzir novos estudos e apresentar uma contraproposta à União. Linhas que realmente possam ser operacionais, sustentáveis e que consigam atrair investidores. Essa efetividade é a preocupação do MobiCaxias. Rogério Rodrigues, diretor-executivo da entidade, reforça que o projeto não prevê uma ligação com o futuro Porto Meridional, em Arroio do Sal, o aeroporto regional da Serra Gaúcha, em Caxias, e outros projetos estratégicos. Ele acredita que uma nova fórmula para o terminal de Vacaria, desativado desde 2025, possa garantir a integração e a produtividade maior na logística da Serra.
O projeto da Malha Sul é dividido em três corredores: Paraná-Santa Catarina, com 1,5 mil km, considerado o mais rentável; do Mercosul, com 1,8 mil km, que vai de Uruguaiana até o interior de São Paulo; e o Rio Grande, com 880km, ligando Cruz Alta ao porto no Sul do Estado. A concessão em três lotes é um dos pontos de discordância, já que apenas um dos trechos sendo rentável, as demais licitações podem terminar vazias. Principalmente o Mercosul, onde o investimento precisa ser maior na recuperação das ferrovias destruídas pelas enchentes. Estima-se que valor total de investimento da nova concessionária chegue à casa de R$ 8 bilhões.
O governo de Santa Catarina judicializou o processo. Eles questionam os procedimentos adotados pela ANTT e os estudos para esse modelo de concessão. A ação já ganhou adesão da Procuradoria Geral do Estado do Rio Grande do Sul e um movimento de promotores federais no interior gaúcho.



