A dor intensa, geralmente pulsante e concentrada em um dos lados da cabeça, é apenas um dos sintomas provocados pela enxaqueca. A condição também pode causar náuseas, sensibilidade à luz e aos sons, tontura, alterações visuais e até dificuldade de concentração, impactando diretamente a rotina e a qualidade de vida de milhões de pessoas. Diante desse cenário, o Dia Nacional de Combate à Cefaleia, lembrado nesta semana, reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado para evitar a cronificação do problema e ampliar o acesso ao tratamento.
De acordo com o neurologista Claudio Watanabe — especialista com mais de uma década de experiência na área — a enxaqueca é considerada uma doença neurológica, contudo, vai muito além de uma simples dor de cabeça e pode provocar sintomas diversos, inclusive, alterações de memória, dificuldade de concentração, ansiedade, irritabilidade e sensibilidade à luz e aos sons.
O médico ainda explicou que a enxaqueca possui origem genética, embora fatores ambientais contribuam para o desencadeamento das crises. Alimentação inadequada, privação de sono, estresse, hidratação insuficiente e até mudanças climáticas estão entre os fatores associados ao agravamento do quadro.
Segundo o especialista, a doença apresenta diferentes fases e sintomas que muitas vezes não são relacionados pelos pacientes à enxaqueca. Além da dor, podem ocorrer confusão mental, alterações de humor, fadiga e dificuldade de atenção.
O neurologista também chamou atenção para a demora na busca por atendimento especializado. Conforme Watanabe, pacientes com enxaqueca podem levar cerca de 17 anos para procurar ajuda médica e até 23 anos para encontrar um especialista em cefaleias.
Outro ponto destacado foi o risco da automedicação. De acordo com o médico, o uso excessivo de analgésicos pode provocar o chamado “efeito rebote”, tornando as dores mais frequentes e dificultando o tratamento.
O especialista ainda reforçou que o diagnóstico da enxaqueca é clínico e realizado a partir da análise dos sintomas e do histórico do paciente. Exames de imagem, segundo ele, são utilizados principalmente para descartar outras doenças neurológicas.
A entrevista completa com o neurologista Claudio Watanabe pode ser conferida aqui.
