A primeira sexta-feira de agosto é celebrado o dia mundial da cerveja e nada melhor do que mostrar como ela vai além de uma bebida. Neste fim de semana, a reportagem conta a história de empreendedores caxienses que fizeram dela seu meio de vida.
O mercado brasileiro é praticamente dominado por três grandes empresas, que respondem por mais de 90% da produção nacional, estimada em 15 bilhões de litros em 2025. Não que em algum momento elas tenham perdido a liderança, mas o crescimento das cervejarias artesanais, principalmente na segunda metade da década de 2010, trouxe concorrência e mudou o cenário.
Agora, esse segmento parece entrar em uma fase de amadurecimento. O sommelier e especialista em cervejas Raphael Cheruti afirma que o momento é para quem entendeu a necessidade de profissionalização.
Essa visão é compartilhada por Rodrigo Gajardo, um dos sócios da cervejaria Pavos. Para ele, um dos principais diferenciais das pequenas cervejarias está na experiência oferecida ao cliente.
Nossos personagens têm em comum a paixão pela cerveja. Muito antes de ela se transformar em profissão ou negócio, os três já gostavam de beber e compartilhar momentos com os amigos. Guilherme Cenzi Alberton, por exemplo, gostava de experimentar rótulos diferentes. Lá pelos idos de 2010, eram poucos os estabelecimentos que ofereciam cervejas importadas. O mercado artesanal ainda estava longe de ser acessível como é hoje. Na faculdade, ele conheceu Tiago Trentin Lima. Os dois decidiram empreender juntos. Surgia ali a La Birra.
A partir de 2016, o empreendimento ganhou velocidade. A microcervejaria instalada nos fundos do bar deu lugar a uma estrutura própria e maior, capaz de atender à demanda. Vieram os estabelecimentos em Gramado e Bento Gonçalves, além de outras franquias. A produção aumentou e, a partir de 2019, os produtos começaram a chegar aos supermercados por meio de uma distribuidora terceirizada. Então vieram a pandemia e as enchentes, trazendo novos desafios. Com os custos maiores e o consumidor com menos poder de compra, foi preciso se adaptar novamente.
Um pouco mais distante do centro da cidade, outra dupla seguiu um caminho parecido. Rodrigo Gajardo e Alex Tonietto perceberam que o consumo de cerveja nos fins de semana pesava no bolso. Com algumas panelas, começaram a produzir a própria bebida, que logo caiu no gosto dos amigos. O que nasceu para consumo próprio despertou o interesse pelo empreendedorismo.
Há cerca de dez anos, eles alugaram a cervejaria Pavos, em Galópolis. Pouco depois, compraram a marca e transferiram a produção para o interior de Forqueta, mais precisamente para São Virgílio da 2ª Légua. Em uma casa construída em 1877, a cerveja ganhou espaço em uma região tradicionalmente associada à uva e ao vinho. A iniciativa ajudou a impulsionar um roteiro turístico que, até então, era pouco explorado na cidade.

O foco agora é consolidar esse roteiro e fazer com que o turismo amplie ainda mais a carteira de clientes. Isso passa por políticas públicas de incentivo, mas também pela construção de um produto com identidade própria, capaz de conquistar e fidelizar o consumidor. Fora das gôndolas dos supermercados, a Pavos aposta em eventos e no Garden próprio. A cervejaria investe em um produto de maior valor agregado, com matéria-prima majoritariamente importada.
O processo busca preservar uma receita definida há anos e, principalmente, manter a regularidade que os clientes esperam.
A busca por qualidade também está presente na nossa terceira história.
Raphael Cheruti transformou o hobby de beber cerveja em profissão, mas seguiu por um caminho diferente. Sommelier e especialista no assunto, ele apostou na comunicação pelas redes sociais e transformou o conhecimento em conteúdo. Hoje, com mais de 255 mil seguidores no Instagram, Cheruti produz conteúdo diretamente de Caxias do Sul para o celular de pessoas em todo o país.
Fugir dos termos rebuscados também significa entender que existe espaço para diferentes perfis de cerveja e consumidores. Da marca mais barata do supermercado à cerveja importada ou artesanal de maior valor, Cheruti defende que cada produto tem seu momento e sua ocasião de consumo.
Para acompanhar esse mercado, é preciso estudar, entender o comportamento do consumidor e ficar atento às novas tendências. Recentemente, ele esteve no lançamento de uma cerveja com proteínas. É mais um exemplo de um setor que busca compreender o público e se adaptar às novas rotinas e aos diferentes momentos de consumo.
Essa necessidade vale para todos, não apenas para as grandes empresas. Como reforça Guilherme, entender o mercado é fundamental para continuar nele.
A cerveja pode ser um negócio. Mudou a vida de muita gente que investiu e apostou nesse mercado. Mas ela também vai além dos números, das vendas e da produção. Como bem resume Rodrigo Gajardo:
Para nós, meros consumidores, a máxima é simples: aproveitar os momentos. E o conselho também é simples, né, Cheruti?
Não esqueça: se for beber, não dirija. Beba com moderação, alterne com água quando possível.



