O inverno começou, oficialmente, neste domingo (21), às 5h24, horário de Brasília, com o solstício que marca a estação mais fria do ano no Hemisfério Sul. Neste ano, porém, além das baixas temperaturas, meteorologistas chamam atenção para o aumento do risco de eventos climáticos extremos provocado pela atuação do fenômeno El Niño.
A MetSul Meteorologia projeta um inverno com volumes de chuva acima da média no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A previsão indica maior probabilidade de enchentes, cheias de rios, enxurradas e temporais, principalmente entre o fim do inverno e o início da primavera.
Segundo a meteorologista Estael Sias, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial já atingiu cerca de 1,5°C acima da média e segue em aceleração. A especialista afirma que os modelos climáticos apontam a possibilidade de o fenômeno alcançar a condição de Super El Niño ainda durante o inverno, com temperaturas superiores a 2°C no Pacífico.
Apesar de o El Niño já influenciar o regime de chuvas no Centro-Sul do país, os efeitos mais intensos devem ocorrer entre outubro e dezembro, período apontado como o pico do fenômeno. Conforme Estael, o cenário preocupa devido ao potencial de episódios de chuva volumosa, tempestades severas e outros eventos extremos.
A meteorologista destaca que novas ondas de calor oceânicas devem reforçar o aquecimento das águas do Pacífico nas próximas semanas, aumentando, a intensidade do fenômeno e ampliando seus impactos sobre a atmosfera.
Além do excesso de chuva, a estação também poderá registrar períodos de temperaturas acima da média para a época, característica comum em anos de El Niño. A combinação entre calor, umidade e sistemas meteorológicos frequentes favorece a formação de temporais e amplia os riscos para a população.
Diante da previsão, órgãos de monitoramento e a Defesa Civil orientam os moradores de áreas suscetíveis a alagamentos e deslizamentos a acompanharem os alertas meteorológicos e manterem atenção às condições climáticas ao longo dos próximos meses.
A expectativa é de que o fenômeno permaneça ativo até o final de 2026, podendo atingir intensidade superior à registrada em episódios anteriores e elevando o risco de eventos climáticos extremos em grande parte do Sul do Brasil.
