A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) está dando início à 7ª etapa da Coorte PAMPA (Estudo Prospectivo sobre Saúde Mental e Física), um dos maiores estudos longitudinais de saúde do Rio Grande do Sul. Coordenada pela Escola Superior de Educação Física da UFPel, a pesquisa acompanha os mesmos grupos de participantes desde 2020 — atravessando pandemia, crise econômica e as enchentes históricas de 2024 — com o objetivo de entender como esses eventos mudaram, de forma duradoura, a vida e a saúde dos moradores do estado.
O pesquisador e colaborador do Centro de Pesquisa em Atividade Física, Saúde e Tecnologia da UFPel, professor Eduardo Caputo, concedeu entrevista ao Jornal da Caxias sobre o estudo.
Ele explicou que a intenção é enviar para as secretarias municipais do Rio Grande do Sul e para a Secretaria Estadual de Saúde relatórios de dados específicos de cada região. Caputo ressaltou que cabe ao poder público tomar as ações necessárias e comentou que até o momento não foram observadas políticas públicas nesse sentido.
Entre os resultados já observados, o pesquisador comentou que depois da pandemia foram constatados que os níveis de atividade física não retornaram aos patamares do período anterior. Também foi observado aumento nos problemas relacionados a dores lombares e incapacitantes que alteram a rotina.
Em relação à Serra Gaúcha, ele informou que o evento das enchentes de 2024 resultou em queda da procura das pessoas por atendimentos de saúde para doenças crônicas. O número, de acordo com os estudos, é muito semelhante ao registrado durante período pandêmico.
Caputo concluiu que os eventos extremos, sejam de saúde ou climáticos, geram efeitos sobre a saúde e comportamento da população. A sétima e próxima etapa do estudo buscar entender as consequências de longo prazo para a sociedade. A pesquisa online leva poucos minutos e pode ser acessada pelo link no site da Rádio Caxias.
