A economia de Caxias do Sul começou 2026 em retração. Em janeiro, o desempenho econômico caiu 5,1% em relação a dezembro de 2025, puxado principalmente pela queda de 16% no setor de serviços e de 3,6% no comércio, enquanto a indústria teve leve alta de 0,5%.
Na comparação com janeiro de 2025, a economia também recuou 5,1%, com forte queda da indústria (-13,8%), parcialmente compensada pelo crescimento do comércio (6,2%) e dos serviços (4,2%). No acumulado de 12 meses, a economia local registra queda de 1,3%. Serviços (8%) e comércio (4,7%) cresceram, mas a indústria acumula retração de 8,3%.
No cenário mais amplo, o diretor econômico Tarciano Mélo destaca que o momento é de cautela. Apesar da expectativa de redução da taxa Selic, fatores como conflitos no Oriente Médio que impactam o preço do petróleo, fretes e a logística global, acabam pressionando os custos e podem gerar efeitos inflacionários também no Brasil.
O comércio de Caxias do Sul teve queda em janeiro de -3,57% na comparação com dezembro de 2025, algo que, segundo economistas, já era esperado para o período. Isso acontece porque o mês é marcado pelas férias. Além disso, segmentos importantes do chamado ramo duro, como venda de veículos, máquinas e implementos agrícolas, costumam ter menos movimento nessa época.
No entanto, em relação a janeiro de 2025, houve alta de 6,21%. Em 12 meses o setor também apresenta crescimento de 4,68%, demonstrando que, apesar da retração mensal, o varejo mantém tendência positiva no longo prazo.
Na avaliação do assessor de Economia e Estatística da CDL Caxias, Mosár Leandro Ness, mesmo com queda o setor segue mostrando resiliência. No acumulado dos últimos 12 meses, o comércio registra crescimento próximo de 5%, o que indica que, apesar da queda pontual de janeiro, a expectativa é de manter um desempenho positivo ao longo do ano.
Outro ponto de atenção é o alto índice de inadimplência em Caxias do Sul. Atualmente, mais de 150 mil pessoas estão negativadas, ou seja, fora do mercado de crédito e com dificuldade para consumir. Isso acaba impactando diretamente o comércio, já que grande parte das compras depende de financiamento ou parcelamento.
Por isso, além de recuperar esses consumidores, também é importante ter taxas de juros mais baixas ou compatíveis, para estimular o consumo ao longo do ano. Esse cenário acaba trazendo incerteza para o desempenho do comércio nos próximos meses.

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