A possibilidade de desistência da construção da Policlínica em Caxias do Sul, mencionada pelo prefeito Adiló Didomenico na última semana diante das tratativas em andamento para a federalização do Hospital Saúde, é vista com preocupação pela deputada federal Denise Pessôa (PT). Responsável pelas articulações e conquista dos recursos em torno do projeto, a parlamentar lamentou a hipótese de o município abrir mão dos investimentos já garantidos.
Conforme Denise Pessôa, a proposta de federalização do hospital difere do projeto de construção da Policlínica. Segundo ela, tentar remanejar os recursos significaria trocar um projeto concreto e assegurado por uma possibilidade ainda incerta. A deputada relembra que Caxias do Sul está entre os dois únicos municípios gaúchos contemplados com o projeto.
Além disso, a parlamentar recorda que a construção de uma UPA Zona Sul chegou a ser prometida durante a campanha eleitoral do prefeito. Posteriormente, a Policlínica foi apresentada como alternativa à unidade, teve o local de implantação alterado e, agora, há a possibilidade de desistência do projeto. Denise considera a situação lamentável e afirma esperar que o prefeito reveja o posicionamento.
A Policlínica também foi tema de debates na tribuna da Câmara Municipal durante a sessão ordinária desta quarta-feira (24). O assunto foi levantado pela vereadora Daiane Mello, que apresentou vídeos publicados anteriormente pelo prefeito nas redes sociais durante os anúncios relacionados ao projeto. A parlamentar criticou o andamento do processo sem uma avaliação prévia da necessidade de contrapartida financeira e sem alinhamento entre a Secretaria Municipal da Saúde e o Executivo.
Vereadores como Lucas Caregnato (PT), Sandra Bonetto (NOVO) e Calebe Garbin (PP) também se manifestaram sobre a falta de esclarecimentos a respeito da exigência de contrapartida antes da assinatura do contrato e do anúncio do projeto sem o planejamento necessário para a execução. Durante a sessão, Lucas Caregnato sugeriu que o secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno, ou o secretário-adjunto, Mário Taddeucci, sejam convidados a comparecer ao Legislativo para prestar esclarecimentos sobre o tema.
Anunciada em julho do ano passado, a Policlínica teve o local de implantação alterado do bairro Esplanada para uma área no bairro Sanvitto. O edital para a construção foi lançado em março deste ano, mas acabou suspenso temporariamente em 8 de maio e revogado em 20 de maio após apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que considerou inadequado o critério de técnica e preço adotado para uma obra de engenharia comum. O município ainda tem prazo de 60 dias, que se encerra em 22 de julho, para promover as adequações necessárias e publicar um novo certame. Caso o município desista da Policlínica, os R$ 17 milhões previstos pelo Governo Federal, dentro de um investimento total estimado em R$ 28 milhões, dos quais R$ 11 milhões correspondem à contrapartida municipal serão perdidos.
Por outro lado, uma nova tramitação precisaria ser iniciada para viabilizar a federalização do Hospital Saúde. Em um eventual processo de federalização, a gestão e o custeio da instituição passariam a ser responsabilidade do Governo Federal. Conforme o prefeito Adiló Didomenico, a definição sobre a manutenção ou não do projeto da Policlínica deverá ocorrer dentro de até um mês.
