O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um dos principais fenômenos que influenciam o clima global, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Ele ocorre devido a mudanças na temperatura das águas do Oceano Pacífico e na circulação atmosférica.
No Brasil, uma das regiões mais impactadas pela atuação do ENOS é o Rio Grande do Sul. O fenômeno potencializa o transporte de umidade oriunda da região amazônica para o estado, o que sustenta sistemas de baixa pressão sobre a região e resulta em tempestades e inundações.
De acordo com as projeções mais atualizadas, há cerca de 80% de chance de manutenção da neutralidade até o fim do primeiro semestre. A partir do trimestre maio–junho–julho, a probabilidade de formação do El Niño supera 60%, podendo ultrapassar 90% no segundo semestre de 2026.
Por conta dessa previsão de chegada do El Niño, a reportagem da Rádio Caxias conversou com o coordenador da Defesa Civil Municipal de Caxias do Sul, Tenente Armando Silva, sobre o tema.
Ele afirmou que a Defesa Civil está melhor preparada do que em maio de 2024, quando o Rio Grande do Sul foi fortemente afetado por enchentes e fortes chuvas resultante da fase final de um El Niño forte.
Tenente Armando Silva explicou que a evolução da Defesa Civil Municipal de maio de 2024 até agora se deve a uma organização com todas as secretarias e a conquista de um recurso para elaborar um plano de contigência. Segundo ele, várias reuniões estão sendo feitas e as áreas de risco estão sendo mapeadas.
De acordo com o INMET, as chuvas extremas registradas no estado em maio de 2024 foram impulsionadas pela fase final de um El Niño forte, que intensificou o jato subtropical e favoreceu a permanência de frentes frias estacionárias sobre o estado. Embora o El Niño tenha atuado como um propulsor, a magnitude do desastre resultou da combinação de múltiplos fatores. Entre eles estão o aquecimento anômalo do Atlântico tropical sul, que ampliou o transporte de umidade pelos jatos de baixos níveis, e um bloqueio atmosférico no Pacífico Sul, que manteve a instabilidade persistente. Essa conjunção de fatores oceânicos e atmosféricos criou um ambiente favorável a acumulados pluviométricos extremos, reforçando a necessidade de um monitoramento integrado.
Para o trimestre maio–junho–julho de 2026, a previsão climática do INMET indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Rio Grande do Sul. Em relação às temperaturas, há tendência de valores próximos à média histórica, demonstrando ausência de sinal claro de extremos no curto prazo.
