A maternidade tardia deixou de ser uma exceção para se consolidar como uma tendência entre as brasileiras. Impulsionada por fatores como carreira, estabilidade financeira, estudos e escolhas pessoais, a decisão de adiar a gravidez tem levado cada vez mais mulheres a recorrerem aos recursos da medicina reprodutiva. Apesar dos avanços tecnológicos, especialistas alertam que o planejamento continua sendo determinante para aumentar as chances de uma gestação saudável.
Em entrevista à Rádio Caxias, a ginecologista e obstetra Carolina Fedrizzi explicou que, embora a reprodução assistida tenha ampliado as possibilidades para mulheres que desejam engravidar após os 35 anos, a idade ainda exerce influência direta sobre a fertilidade.
Segundo a médica, diferentemente dos homens, que produzem espermatozoides continuamente, a mulher nasce com toda a sua reserva de óvulos. Com o passar dos anos, especialmente a partir dos 35, ocorre uma redução significativa na quantidade e na qualidade dessas células, o que diminui as chances de gravidez e aumenta o risco de alterações genéticas.
“A tecnologia é uma aliada importante, mas não substitui a biologia. Os tratamentos podem ajudar, porém não representam uma garantia de sucesso”, afirmou.
Entre as alternativas disponíveis, o congelamento de óvulos é apontado como uma das principais estratégias para mulheres que pretendem adiar a maternidade. O procedimento preserva óvulos coletados ainda em idade fértil, aumentando as possibilidades de utilização futura.
A especialista destaca, no entanto, que a decisão deve ser tomada de forma planejada e com orientação médica.
“O ideal é que a mulher comece a pensar nesse planejamento antes dos 35 anos. Quanto mais jovem o óvulo é congelado, maiores são as chances de um resultado favorável no futuro”, explicou.
Carolina ressalta que a fertilização in vitro (FIV) não é a única alternativa para quem enfrenta dificuldades para engravidar. Dependendo do diagnóstico, mudanças no estilo de vida, controle hormonal, cirurgias, inseminação artificial e tratamentos específicos podem ser suficientes.
Segundo ela, cada caso deve ser avaliado individualmente para definir a abordagem mais adequada.
“A infertilidade não possui uma única causa nem uma solução padrão. O tratamento precisa considerar as características e as necessidades de cada paciente.”
A médica também chama a atenção para os riscos associados à gestação em idade mais avançada. Entre eles estão o aumento da incidência de alterações cromossômicas, abortamentos espontâneos e complicações obstétricas.
Ela destaca que exames realizados durante o pré-natal, como a ultrassonografia morfológica e testes genéticos, permitem identificar precocemente possíveis alterações no desenvolvimento fetal e contribuem para um acompanhamento mais seguro.
Outro avanço apontado pela especialista é a utilização da inteligência artificial na medicina reprodutiva. A tecnologia vem sendo aplicada principalmente na organização e rastreabilidade de óvulos, embriões e espermatozoides armazenados em laboratório, além de auxiliar na análise de exames e imagens durante a gestação.
Para Carolina Fedrizzi, o principal desafio continua sendo conscientizar as mulheres sobre a influência da idade na fertilidade.
Ela orienta que quem pretende adiar a maternidade converse antecipadamente com o ginecologista para avaliar as alternativas disponíveis e definir o melhor momento para iniciar o planejamento reprodutivo.
“O sonho da maternidade pode ser adiado, mas essa decisão precisa ser acompanhada de informação e planejamento. A medicina evoluiu muito, porém continua trabalhando dentro dos limites da biologia”, concluiu.
Confira a entrevista completa no Caxias Play.




