As exportações brasileiras para os Estados Unidos passaram a enfrentar um novo obstáculo na última sexta-feira (24), com a entrada em vigor de uma sobretaxa de até 12,5% sobre produtos de países considerados pelo governo norte-americano como insuficientes no combate ao trabalho forçado. O Brasil foi enquadrado na alíquota máxima após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
A medida se soma às tarifas já impostas anteriormente sobre diversos produtos brasileiros, ampliando a pressão sobre empresas que dependem do mercado americano. Embora a nova cobrança tenha potencial para aumentar os custos e reduzir a competitividade dos produtos brasileiros, a especialista em comércio exterior e sócia administradora da MTC Consultoria, Maria Tereza da Costa, avalia que o momento exige foco na estratégia. Segundo ela, o primeiro passo é analisar o impacto da nova tarifa sobre cada produto, revisar a estrutura de custos e buscar ganhos de eficiência para reduzir os efeitos da medida.
Para a consultora, a principal lição deixada pelas novas barreiras comerciais é a necessidade de reduzir a dependência de um único destino para as exportações. Ela destaca que a diversificação de mercados deve fazer parte do planejamento das empresas, com estudos sobre exigências técnicas, barreiras de entrada, concorrência e potencial de consumo antes da escolha dos países prioritários.
Maria Tereza também aponta a América Latina como uma das alternativas mais viáveis para empresas brasileiras. Segundo ela, enquanto acordos comerciais firmados pelo Brasil com diversos países da região diminuem a carga tributária sobre as exportações.
A especialista recomenda que as empresas busquem apoio técnico para elaborar um planejamento com menor grau de exigência e ampliar gradualmente a presença no comércio exterior, reduzindo a exposição a medidas tarifárias como as adotadas pelos Estados Unidos.



