Após o anúncio de uma nova paralisação dos médicos das UPAs Central e Zona Norte de Caxias do Sul nesta segunda-feira (1º), o secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno, informou que o contrato com o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), atual gestor das unidades, será rescindido na próxima terça-feira (9). Segundo ele, o processo para a contratação de uma nova empresa já está em andamento.
De acordo com o secretário, que falou com a imprensa durante uma pausa na sessão da Câmara Municipal, na manhã desta terça-feira (2), inicialmente será firmado um contrato emergencial para garantir a continuidade dos atendimentos e evitar prejuízos à população. Bueno acrescentou que a nova empresa possui capacidade técnica e estrutura para atender a todas as demandas das UPAs.
O secretário afirmou ainda que não apenas o Ideas estaria falhando nesta situação, mas que os médicos também estariam descumprindo os procedimentos previstos para a realização de uma greve, ao iniciar a paralisação sem comunicação prévia. Segundo ele, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) deverá ingressar imediatamente com uma ação judicial contra o Sindicato dos Médicos em razão da mobilização.
Ele destacou ainda que a UPA Central já teria recebido 100% dos valores previstos para pagamento, enquanto a UPA Zona Norte recebeu cerca de 41% dos recursos destinados ao pagamento dos serviços.
Na oportunidade, Bueno também garantiu que o atendimento nas UPAs será mantido normalmente nesta sexta-feira (5), com reforço de servidores convocados pela prefeitura para suprir a demanda.
Cronologia
No final de maio, os médicos já haviam realizado uma paralisação pelos mesmos motivos. Na ocasião, os atendimentos foram retomados no dia 25 após uma reunião entre representantes da prefeitura de Caxias do Sul e dos profissionais, quando foi firmado um acordo prevendo a normalização dos serviços e o compromisso conjunto de buscar uma solução para as pendências salariais.
Os atendimentos
Com a paralisação, as UPAs Central e Zona Norte estão atendendo exclusivamente casos de urgência e emergência. As unidades são administradas pelo Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas). A reportagem entrou em contato com a instituição, que até o momento não se manifestou sobre a situação. Também foi solicitado posicionamento ao Sindicato dos Médicos.
Conforme a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), são considerados casos de urgência e emergência aqueles que apresentam risco à vida ou possibilidade de agravamento rápido do quadro clínico, exigindo atendimento imediato. Entre eles estão dor no peito com suspeita de infarto, falta de ar intensa, suspeita de acidente vascular cerebral (AVC), convulsões, hemorragias, acidentes e traumas, perda de consciência, crises hipertensivas graves, febre alta acompanhada de intensa prostração, desidratação grave, queimaduras, crianças com sinais de agravamento clínico e pacientes com risco iminente de piora do estado de saúde.
Pacientes que não se enquadram nesses critérios devem buscar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
