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“As crianças estão cada vez menos ativas”, alerta especialista da Unimed Serra Gaúcha

  • Redação
  • 28/05/2026
Crescimento da obesidade infantil está ligado à redução das atividades ao ar livre e ao aumento do consumo de ultraprocessados, aponta especialista da Unimed Serra Gaúcha. Foto: Repassada Unimed Serra Gaúcha/Magnific/Divulgação

O tempo está passando mais rápido ou a rotina das famílias está cada vez mais sobrecarregada? Em meio à busca constante por praticidade, a alimentação também mudou. No Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, instituído em 3 de junho, a Unimed Serra Gaúcha alerta para a importância do acompanhamento nutricional de crianças e adolescentes, além do estímulo a atividades físicas e brincadeiras ao ar livre.

Dados do Atlas Mundial da Obesidade apontam que o Brasil já soma 16,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos com sobrepeso. As projeções também indicam que, nos próximos anos, o número de jovens com obesidade deve superar o de indivíduos com baixo peso na mesma faixa etária.

Conforme o médico-gastroenterologista pediátrico cooperado da Unimed Serra Gaúcha Dr. Charles Angeli, os números refletem mudanças importantes no estilo de vida da população, especialmente relacionadas ao aumento do uso de telas e à redução das atividades físicas.

“As crianças estão cada vez menos ativas. A falta de espaços seguros para brincar ao ar livre, somada à verticalização das cidades, à insegurança e à violência urbana, faz com que muitas passem mais tempo dentro de casa, em frente às telas, gastando cada vez menos energia. Ao mesmo tempo, houve um aumento no consumo de alimentos altamente calóricos. Hoje existe uma oferta muito grande de produtos ultraprocessados, coloridos e atrativos desde a primeira infância, que acabam chamando a atenção das crianças”, explica o médico.

O especialista destaca que os alimentos ultraprocessados costumam ser mais práticos e, muitas vezes, mais baratos do que opções saudáveis, o que leva muitas famílias, especialmente as de baixa renda, a recorrerem a esses produtos como base da alimentação.

“Esse cenário contribui diretamente para a mudança do perfil nutricional da população. Muitas vezes, os pais passam o dia inteiro fora de casa e não conseguem dedicar tempo ao preparo de refeições naturais. Com isso, os alimentos in natura acabam sendo substituídos por produtos industrializados, mais rápidos de consumir, mas também mais calóricos e menos nutritivos. Essa mudança no padrão alimentar ajuda a explicar o crescimento da obesidade infantil no país”, completa.

Hábitos alimentares

A alimentação nos primeiros anos de vida tem impacto direto no risco de obesidade infantil e no desenvolvimento de doenças futuras. Segundo Dr. Charles, alguns hábitos ainda comuns nas famílias precisam ser evitados, especialmente antes dos dois anos de idade.

“O primeiro ano de vida é fundamental para a formação dos hábitos alimentares. O consumo precoce de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, refrigerantes, excesso de açúcar e até leite de vaca antes da idade recomendada pode aumentar o risco de obesidade e doenças cardiovasculares no futuro”, alerta.

Medicamentos para emagrecimento exigem cautela

O uso de medicamentos para emagrecimento em crianças e adolescentes deve ocorrer apenas em situações específicas e sempre com acompanhamento médico especializado. Conforme o médico, a automedicação ou o uso indiscriminado dessas substâncias pode trazer riscos para a saúde.

“Nenhuma pessoa deve utilizar qualquer medicação para perda de peso sem orientação médica. O tratamento da obesidade passa pela mudança de hábitos e pelo acompanhamento multiprofissional. Esses medicamentos também não são indicados para crianças. Em adolescentes, podem ser considerados apenas em casos de obesidade refratária, quando mudanças alimentares e atividade física não apresentaram resultado, e já existem complicações como resistência à insulina ou diabetes”, explica.

Sono adequado, atividade física e alimentação equilibrada estão entre os principais pilares para prevenir e combater a obesidade infantil. A participação da família é decisiva no processo. O especialista da Unimed Serra Gaúcha ressalta que pequenas mudanças na rotina podem trazer benefícios tanto para a criança quanto para os pais.

“Muitas vezes a obesidade acaba sendo encarada como algo normal dentro da família, principalmente quando pais e familiares também convivem com excesso de peso. Mas o ambiente influencia diretamente os hábitos da criança. É fundamental estimular atividades físicas, brincadeiras ao ar livre, reduzir o tempo de telas e incentivar uma alimentação mais natural dentro de casa. A prevenção começa nos hábitos da família”, finaliza Dr. Charles Angeli.

Texto: Assessoria de imprensa Unimed Serra Gaúcha

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