Diretores e coordenadores pedagógicos de escolas de Educação Infantil participaram, nesta quinta-feira (16), de uma formação voltada à prevenção e ao enfrentamento do racismo no ambiente escolar. O encontro reuniu cerca de 180 gestores de instituições credenciadas ao município e da rede particular, no auditório do Sindiserv.
A capacitação buscou preparar as equipes escolares para identificar situações de discriminação racial, acolher crianças e famílias e adotar medidas adequadas diante de episódios de racismo. A iniciativa ganha relevância especialmente na Educação Infantil, fase em que crianças começam a construir relações sociais e percepções sobre identidade, convivência e respeito às diferenças.
Durante o evento, também foi apresentado o Protocolo de Abordagem e Resposta para Situações de Racismo no Ambiente Escolar, documento que orienta escolas sobre procedimentos em casos de denúncia ou identificação de práticas discriminatórias.
A assessora pedagógica do Núcleo Qualificar a Educação para as Relações Étnico-Raciais (QuERER), Elenice das Neves Bairros, destacou que o enfrentamento ao racismo passa por todas as dimensões do ambiente escolar. Segundo ela, isso envolve a relação entre crianças, entre adultos, entre educadores e alunos, além da própria estrutura da escola, já que o espaço também educa.
Elenice ressaltou que, quando crianças negras, indígenas ou migrantes não se veem representadas de forma positiva em brinquedos, livros, murais e demais referências escolares, ou aparecem apenas de maneira estereotipada, há impactos diretos na construção da identidade. Para ela, é necessário inverter essa lógica e ampliar referências que valorizem beleza, potência, saberes e histórias desses grupos.
A pedagoga também alertou que estudos apontam que manifestações de racismo surgem ainda nos primeiros anos da vida escolar. “A Educação Infantil é a etapa em que o mundo se apresenta às crianças. Infelizmente, é também nesse período que o racismo aparece pela primeira vez na vida de muitas crianças negras, o que representa uma violência muito precoce”, afirmou.
Segundo ela, embora o brincar e a interação sejam bases da Educação Infantil, é fundamental observar como essas relações acontecem dentro da escola e de que forma podem reproduzir exclusões ou desigualdades.
A atividade foi conduzida pelo Núcleo QuERER, ligado à Secretaria Municipal da Educação (SMED), com apoio do Conselho Municipal de Educação (CME). Conforme a prefeitura, a ação integra políticas públicas voltadas à qualificação do ensino e à promoção da equidade racial nas escolas do município.
