A bicicleta como meio de transporte, lazer e instrumento de promoção da saúde e da mobilidade urbana foi o foco da participação do designer e ciclista Virgílio Ortigara, integrante do movimento Massa Crítica. Ao compartilhar experiências pessoais, ele também apresentou orientações práticas sobre o uso da bicicleta nas vias públicas e a necessidade de mais respeito entre motoristas, ciclistas e pedestres.
Conforme Ortigara, o vínculo com a bicicleta começou ainda na infância e se consolidou na vida adulta como atividade regular. Para ele, pedalar representa não apenas exercício físico, mas também uma forma de lazer e de contato com a natureza. “É uma oportunidade de sair da rotina, respirar ar puro e aproveitar as paisagens da região”, afirma.
O ciclista também ressaltou o potencial do cicloturismo como ferramenta de desenvolvimento econômico e sustentável. Segundo ele, é fundamental que o setor do turismo amplie o olhar para a bicicleta como meio capaz de atrair visitantes, especialmente para o interior. “Já existem roteiros, mas é preciso investir mais e estruturar melhor essas iniciativas”, avalia.
No campo da saúde, Virgílio relatou que a bicicleta teve papel decisivo em sua recuperação após enfrentar problemas relacionados ao sobrepeso. Após um procedimento de redução do estômago, ele encontrou no ciclismo uma alternativa acessível para retomar a qualidade de vida. O relato, segundo ele, serve de estímulo para pessoas que desejam começar a pedalar, mas têm receio em função de limitações físicas.
Sobre o Massa Crítica, Ortigara explicou que o movimento é uma ação coletiva, sem liderança formal e sem fins lucrativos, que busca dar visibilidade aos ciclistas e reforçar o direito ao uso seguro do espaço público. A participação, conforme ele, é motivada pelo desejo de promover mudanças e conscientização no trânsito.
Entre as principais dicas de mobilidade, o ciclista destacou a importância de compreender as regras de circulação. A bicicleta, por exemplo, não deve trafegar sobre calçadas, que são destinadas aos pedestres. Ele também explicou que ciclovias e ciclofaixas possuem limite de velocidade e que ciclistas em ritmo mais elevado devem ocupar a via pública, respeitando a legislação.
Outro ponto abordado foi a travessia em faixas de pedestres. Conforme Ortigara, o ciclista só é equiparado ao pedestre quando está fora da bicicleta, empurrando-a. “Esse é um detalhe pouco conhecido, mas essencial para a segurança”, observa.
Virgílio também alertou para situações recorrentes de risco enfrentadas por quem pedala nas ruas, como ultrapassagens perigosas, buzinas e tentativas de intimidação. Ele reforçou que a conscientização dos motoristas é fundamental para reduzir acidentes e garantir uma convivência mais segura entre os diferentes modais.
Ao final, o ciclista reiterou o convite para que a população participe das ações do Massa Crítica e defendeu a bicicleta como alternativa sustentável e democrática de mobilidade urbana. “Todos têm direito de circular com segurança. A cidade precisa ser pensada para as pessoas”, concluiu.
Confira aqui a entrevista completa.
