O aumento do custo de vida e a perda do poder de compra das famílias têm ampliado a inadimplência em todo o país. Em Caxias do Sul, mais de 170 mil pessoas possuem algum tipo de restrição de crédito, no Brasil esse índice representa mais de 40% da população. O cenário foi analisado pelo economista, pesquisador e professor universitário Mosar Leandro Ness, durante participação no Jornal da Caxias, nesta quinta-feira (6).
Segundo o economista, o chamado déficit monetário — quando a renda das famílias deixa de acompanhar o aumento das despesas — é um dos principais fatores que explicam o crescimento da inadimplência. Apesar de a inflação apresentar desaceleração em indicadores nacionais, reajustes previstos para energia elétrica, medicamentos e combustíveis devem continuar pressionando o orçamento dos brasileiros nos próximos meses.
Ness destaca que a alimentação permanece entre os maiores desafios para as famílias. De acordo com ele, o consumidor percebe, diariamente, que o mesmo valor gasto no supermercado compra uma quantidade cada vez menor de produtos, comprometendo ainda mais a renda disponível para outras despesas.
O economista também ressalta que os reajustes salariais não acompanham a alta acumulada dos preços, ao longo do ano, reduzindo o poder de compra da população. O impacto é ainda maior para aposentados e pessoas que dependem do uso contínuo de medicamentos.
Na avaliação de Ness, a inflação projetada para este ano, em torno de 5%, segue acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central. Com isso, a tendência é de manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado, o que encarece o crédito, dificulta renegociações de dívidas e contribui para o aumento da inadimplência.
O economista também alerta para a possibilidade de novos reajustes nos combustíveis, caso haja mudanças na política de preços. A elevação da gasolina, do diesel e do gás de cozinha tende a refletir diretamente nos custos do transporte e dos alimentos, ampliando a pressão sobre o orçamento das famílias e aumentando o risco de endividamento.
Diante desse cenário, a orientação é que os consumidores priorizem despesas essenciais, pesquisem preços antes das compras e evitem assumir novas dívidas. Segundo Ness, a cautela será fundamental nos próximos meses, já que não há expectativa de redução significativa do custo de vida até o fim deste ano.
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