As vinícolas da Serra Gaúcha comemoram o desempenho comercial na Expointer 2026, em Esteio, e avaliam que a feira confirma o interesse crescente do consumidor pelos vinhos produzidos no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo, o setor demonstra preocupação com a redução das tarifas para vinhos europeus prevista no acordo entre Mercosul e União Europeia.
O presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, afirma que a participação do setor na feira cresceu neste ano. O espaço da entidade passou de seis vinícolas, em 2025, para dez em 2026. Segundo ele, outras cinco empresas ficaram em lista de espera.
O resultado já provoca planos de expansão para a próxima edição. A intenção é ampliar o espaço para receber até 15 vinícolas, podendo chegar a 20, dependendo da estrutura disponível.
“Todo mundo está muito feliz com o volume de negócios e com a visitação”, destacou Galiotto. Segundo o dirigente, o estande registrou grande movimento durante a feira, com consumidores interessados não apenas em degustar os produtos, mas também em conhecer a produção gaúcha.
Na avaliação do presidente do Consevitis-RS, o consumidor brasileiro está cada vez menos preso às regras tradicionais de consumo do vinho. A busca estaria mais relacionada à experiência e ao momento do que à variedade da uva ou à harmonização com determinado prato.
Entre os produtos mais procurados na Expointer estão espumantes e vinhos brancos e leves. Galiotto também destaca o crescimento do interesse por produtos de diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
A agricultura familiar e o enoturismo também têm papel importante nesse processo. Pequenas propriedades que produzem vinhos e oferecem experiências aos visitantes ajudam, segundo ele, a fortalecer a cadeia e aproximar o consumidor da origem do produto.
O principal alerta para os próximos anos está relacionado à concorrência com os vinhos importados. A redução das tarifas para produtos europeus, prevista no acordo entre Mercosul e União Europeia, é vista pelo setor como um possível fator de perda de competitividade para a produção brasileira.
Para Galiotto, o problema não está na qualidade dos vinhos nacionais, mas na diferença de carga tributária. Ele defende que produtos brasileiros e importados sejam submetidos a condições semelhantes de tributação.
A preocupação é que uma eventual diferença de preço na gôndola pese na decisão de compra do consumidor. Segundo o dirigente, uma diferença de poucos reais pode fazer com que o consumidor escolha o vinho importado, especialmente, entre aqueles que ainda não possuem preferência consolidada por determinada marca ou região.
O setor também acompanha a implementação do novo sistema tributário, com IBS e CBS, e busca garantir que as mudanças não agravem a desvantagem competitiva do vinho produzido no país.
Apesar das preocupações, Galiotto avalia que o cenário para a vitivinicultura gaúcha é positivo. Para ele, a qualidade dos vinhos, espumantes e sucos de uva produzidos no Estado é um dos principais diferenciais para conquistar consumidores.
O presidente do Consevitis-RS também destacou o potencial do suco de uva brasileiro. Segundo ele, cerca de 50% da produção de uvas do Estado é destinada ao produto.
A avaliação positiva de representantes internacionais do setor, conforme Galiotto, reforça a percepção de que o Brasil possui condições de ampliar sua presença no mercado mundial.
Com o bom resultado na Expointer 2026, as vinícolas gaúchas deixam a feira com perspectivas de expansão, mas também com uma reivindicação clara: garantir condições tributárias que permitam ao vinho brasileiro competir em igualdade de condições com os produtos importados.



