Um temporal causou fortes estragos em comunidades e propriedades rurais de Flores da Cunha, entre a noite desta segunda (08) e a madrugada de terça-feira (09). Ventos intensos derrubaram parreirais, destelharam casas, destruíram estufas e deixaram localidades sem energia e comunicação. A estimativa inicial conforme a Comissão Interestadual da Uva, aponta ao menos 50 hectares de parreirais destruídos, número que pode aumentar com novos levantamentos.
Segundo o coordenador da Comissão Interestadual da Uva e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Ricardo Pagno, as áreas mais afetadas no interior de Flores da Cunha, incluem Travessão Alfredo Chaves, Medianeira, Capoeirão e regiões próximas ao limite com o município de Nova Pádua. Ele relata que estruturas de comunitárias e empresariais ficaram comprometidas e que “muitas famílias seguem isoladas com problemas por falta de luz e internet”.
O temporal ocorre em meio à tensão entre agricultores e o governo federal pela interrupção da subvenção ao seguro agrícola — que antes cobria 40% das apólices. Sem o repasse, produtores passaram a arcar integralmente com o custo. Pagno afirma que muitos não tinham condições financeiras para assumir a diferença, o que levou ao cancelamento ou redução de seguros.
Um protesto previsto para esta quarta-feira (10) para acontecer em Porto Alegre, com participação de agricultores da região, pode ser adiado devido aos estragos na região da Serra. Mas diante da mobilização de moradores e entidades sobre o problema, levantamentos desta semana devem embasar pedidos de apoio e possível reconhecimento de situação de emergência.
De acordo com a Comissão interestadual da Uva, a safra da uva com colheita em 2025 chegou próxima aos 750 milhões de quilos no Rio Grande do Sul. Na safra de 2026, a colheita no Estado da fruta deve chegar aos 700 milhões de quilos. Em relação a valores, o setor produtivo avalia como positivo o preço mínimo da uva fixado em R$ 1,80, embora reconheça que poderia ser melhor pois ainda seria insuficiente para cobrir custos fixos. A colheita segue prevista para começar entre 15 e 20 de janeiro nas variedades precoces, com pico entre fevereiro e meados de março.
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