A falta de água em bairros de Caxias do Sul atendidos pelo Sistema Faxinal, no início de outubro, gerou críticas da população. Na ocasião, o problema ocorreu após escavações para a implantação de um loteamento particular próximo ao Jardim das Hortênsias provocarem o deslizamento de um talude. A movimentação de terra, agravada pelo acúmulo de chuva, arrastou um trecho da tubulação de 700 milímetros de diâmetro do Sistema Faxinal.
A Rádio Caxias procurou o Samae para entender como funciona o abastecimento na cidade. O Sistema Faxinal, inaugurado na década de 1980, é responsável por 57% do fornecimento de água, levando água para mais da metade de Caxias do Sul.
Cassiano Zeni Vargas, superintendente de Abastecimento de Água do Samae, explica que por meio de duas adutoras a água do Faxinal é levada para tratamento na Estação de Tratamento de Água (ETA) Parque da Imprensa, no bairro Nossa Senhora de Lourdes. Cada uma percorre cerca de 15 quilômetros. A mais antiga delas tem 500 mm, enquanto a outra tem 700 mm.
O superintendente explica que é a mais antiga que causa transtornos na rede. Diferentes intercorrências causam rompimentos nos canos, a mais comum delas devido aos transientes hidráulicos, quando há uma alteração rápida e repentina no movimento da água. Contudo, no episódio do início do mês, foi a adutora de maior porte que sofreu avarias após o incidente. Ele aponta que há projeto para a construção de uma terceira adutora.
Vargas lembra que os sistemas Marrecas, responsável por cerca de 27%; Maestra, por 14%; e Dal Bó, por 2%, complementam o abastecimento de Caxias do Sul. Ele explica que grandes alterações no abastecimento são demoradas e precisam de altos investimentos, sendo realizadas gradualmente , ao longo dos anos. Diversos bairros na Zona Norte já tiveram o abastecimento transferido para o Sistema Marrecas.
O presidente do Samae, Edson da Rosa, afirma que há uma abundância de sistemas na cidade e uma divisão de acordo com a distribuição estratégica.
Ainda de acordo com a autarquia, o Sistema Marrecas, inaugurado em 2014, foi projetado para o futuro. A ideia é que, com o crescimento da cidade, aumente gradativamente a produção e a participação no abastecimento. Já o Faxinal foi inaugurado em duas etapas, em 1983 e 1992, e marcou a resolução dos problemas de abastecimento de água em Caxias na época.
Além disso, segundo Vargas, um grupo de trabalho está sendo montado para estudar e avaliar a necessidade da construção de uma nova barragem na cidade.
A terceira adutora do Faxinal está em fase de projetos para implantação de:
* uma nova adutora de água bruta, de DN 800, com 10km de extensão, entre a Estação de Bombeamento, ao lado da represa em Ana Rech até o bairro De Zorzi. Será paralela à adutora de DN 700;
* dois reservatórios volantes, de 15.000m³ cada, próximos à Acrilys (Rota do Sol), o que reduzirá custo de energia em R$ 300 mil/mês.
* Valor previsto de investimento na ordem de R$ 76 milhões. Está previsto no Plano Plurianual 2026/2029 e as obras devem ocorrer entre 2028 e 2029.



