Brasil registrou em 2025 o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais em uma década; especialista destaca importância do diagnóstico e do atendimento precoce
O aumento dos transtornos mentais e dos afastamentos do trabalho reforça, neste Setembro Amarelo, a necessidade de ampliar a prevenção e o acesso ao cuidado em saúde mental. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que o Brasil registrou, em 2025, o maior número de afastamentos por transtornos mentais em dez anos. Ansiedade e depressão tiveram crescimento de 15% e estão entre os principais motivos dos afastamentos.
Para a psicóloga e neuropsicóloga Roberta Sartori, os números evidenciam que o sofrimento emocional não pode mais ser tratado como uma questão individual ou secundária. Segundo ela, o adoecimento costuma começar muito antes de comprometer a capacidade de trabalhar.
Entre os sinais que podem aparecer antes de um afastamento estão cansaço intenso, alterações no sono, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e perda de interesse por atividades que anteriormente faziam parte da rotina.
A especialista defende que a identificação desses sinais deve ocorrer antes do agravamento do quadro. O cuidado pode envolver psicoterapia, avaliação médica, mudanças na rotina e no ambiente de trabalho, fortalecimento dos vínculos sociais e familiares e, em casos específicos, recursos tecnológicos complementares.
Entre as alternativas que vêm sendo utilizadas no cuidado em saúde mental está a neuromodulação não invasiva. Em Caxias do Sul, Roberta Sartori utiliza técnicas como a estimulação transcraniana por corrente contínua, a fotobiomodulação, o neurofeedback e o biofeedback, associadas à avaliação neuropsicológica e a outras estratégias de tratamento.
Os recursos têm objetivos diferentes. A estimulação transcraniana utiliza uma corrente elétrica de baixa intensidade aplicada por eletrodos no couro cabeludo. A fotobiomodulação utiliza luz em comprimentos de onda específicos. Já o neurofeedback fornece informações sobre a atividade cerebral para auxiliar no treinamento da autorregulação, enquanto o biofeedback trabalha com sinais fisiológicos, como respiração, frequência cardíaca e tensão corporal.
De acordo com a especialista, dependendo do caso, as técnicas podem contribuir para a regulação emocional, redução da hiperativação associada à ansiedade, melhora do sono, atenção, disposição e tolerância ao estresse.
Os efeitos, porém, não são iguais para todos os pacientes. A indicação e o protocolo dependem do quadro clínico, da intensidade e duração dos sintomas, das características individuais e da associação com outras formas de tratamento.
Roberta Sartori ressalta que a neuromodulação não substitui a psicoterapia nem deve ser apresentada como uma solução isolada para transtornos como ansiedade e depressão. Segundo ela, esses quadros podem envolver fatores biológicos, psicológicos, familiares, profissionais e ambientais.
A especialista também alerta para promessas de resultados imediatos ou de cura e para protocolos padronizados aplicados indistintamente. A avaliação profissional é necessária para verificar se determinada técnica é adequada para cada paciente.
Outro cuidado diz respeito ao uso de medicamentos. A neuromodulação não deve levar à interrupção ou alteração de tratamentos prescritos. Qualquer mudança na medicação deve ser discutida com o médico responsável pelo acompanhamento.
Para Roberta, o principal indicador de evolução não é apenas a percepção durante as sessões, mas a mudança na vida cotidiana. Entre os sinais positivos estão conseguir dormir melhor, retomar atividades, organizar os pensamentos e reagir de maneira menos intensa a situações de estresse.
Neste Setembro Amarelo, a especialista reforça que a busca por ajuda deve ocorrer antes que o sofrimento se agrave. Pedir apoio, afirma, não representa fraqueza, mas uma forma de proteção e de cuidado com a própria saúde.



