O alerta foi feito pelo psiquiatra Gustavo Camargo Commazzetto, em entrevista à Rádio Caxias, nesta terça-feira (1º), durante uma conversa sobre o Setembro Amarelo, campanha de prevenção ao suicídio.
Segundo o especialista, o dado reforça a importância de identificar sinais de sofrimento psíquico e buscar ajuda antes do agravamento do quadro.
Commazzetto explica que, em muitos casos, a pessoa que tenta suicídio não necessariamente deseja morrer, mas busca interromper um sofrimento que considera insuportável. Por isso, familiares e amigos devem ficar atentos a mudanças de comportamento.
Entre os sinais estão perda de interesse por atividades antes prazerosas, falta de energia, isolamento social e alterações na rotina. Em crianças e adolescentes, afastamento dos amigos, resistência em ir à escola e abandono de atividades esportivas também podem indicar sofrimento emocional.
O psiquiatra reforça que depressão não é falta de vontade nem uma tristeza passageira. A doença pode causar alterações no sono, perda de peso, dores sem causa identificada, dificuldade de concentração e problemas para tomar decisões.

Outro ponto destacado é a importância de falar sobre suicídio sem medo. Segundo o especialista, abordar diretamente o assunto não aumenta o risco de uma tentativa e pode ajudar a pessoa a expressar o sofrimento e aceitar ajuda.
A orientação é evitar frases que minimizem a situação e, diante de mudanças de comportamento, demonstrar preocupação e incentivar a busca por atendimento profissional. Em casos graves, familiares podem precisar acompanhar a pessoa até um serviço de saúde.
Commazzetto também alerta que a melhora dos sintomas não significa que o tratamento possa ser interrompido. A suspensão de medicamentos psiquiátricos por conta própria pode aumentar o risco de uma nova crise. A duração do tratamento deve ser definida pelo profissional responsável.
Para quem enfrenta sofrimento intenso ou pensamentos relacionados à própria morte, a recomendação é não ficar sozinho e buscar ajuda. O atendimento pode ser feito por médicos, psicólogos ou psiquiatras. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Para o psiquiatra, o mais importante diante de um sofrimento intenso é pedir ajuda. Confira a entrevista completa no completa no Caxias Play.



