A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) firmou uma parceria com a Associação Mão Amiga para desenvolver um projeto de atenção psicossocial comunitária voltado aos moradores dos bairros Galópolis e Vila Cristina, duas das localidades mais impactadas pelos eventos climáticos extremos registrados em 2024. A iniciativa busca atender às consequências emocionais e sociais deixadas pela calamidade, fortalecendo os vínculos comunitários e ampliando o acesso ao cuidado em saúde mental por meio de ações integradas com a rede pública.
O projeto será executado até o dia 31 de dezembro de 2026, com investimento de R$ 65.492, com recursos do Governo do Estado, destinada ao financiamento de ações relacionadas aos impactos das enchentes no Rio Grande do Sul. A Associação Mão Amiga será a entidade executora das atividades, que ocorrerão de forma complementar aos serviços já oferecidos pela Rede Municipal de Atenção Psicossocial (RAPS), sem substituir os atendimentos permanentes realizados pelo município.
Conforme o plano de trabalho, a proposta foi construída a partir da constatação de que, embora Caxias do Sul disponha de uma rede estruturada de atendimento em saúde mental, os impactos psicossociais provocados pelos eventos extremos exigem uma intervenção temporária, territorializada e voltada às necessidades específicas das comunidades atingidas. Segundo o secretário da Saúde, Rafael Bueno, a iniciativa pretende fortalecer o cuidado comunitário, identificar demandas ainda existentes e valorizar as redes de apoio construídas pelos próprios moradores.
As ações previstas abrangem diferentes frentes de atuação. Entre elas estão a mobilização comunitária, a busca ativa junto às Unidades Básicas de Saúde (UBSs), rodas de conversa, grupos terapêuticos, oficinas e atividades coletivas, além de intervenções em escolas e ações de fortalecimento das redes comunitárias.
O público prioritário será formado por moradores de Galópolis e Vila Cristina que sofreram perdas materiais, deslocamentos ou outras situações de sofrimento relacionadas às enchentes de 2024, além de famílias atingidas direta ou indiretamente pelos eventos, pessoas identificadas com necessidades em saúde mental e grupos comunitários dos territórios atendidos. Também participarão das ações profissionais da Atenção Primária à Saúde, da Rede de Atenção Psicossocial, educadores e lideranças comunitárias, fortalecendo a integração entre os diferentes serviços.
O plano de trabalho prevê que, durante o desenvolvimento das atividades, situações que demandem acompanhamento individualizado possam ser identificadas. Nesses casos, serão realizados atendimentos especializados em saúde mental pela equipe técnica da Associação Mão Amiga, incluindo acompanhamento psicológico e, quando necessário, atendimento com médico psiquiatra, sempre em articulação com a Rede Municipal de Saúde.
A expectativa é que o projeto contribua para minimizar os impactos emocionais ainda presentes após a tragédia climática, ampliar o acolhimento das famílias e fortalecer a capacidade das comunidades de enfrentar futuras situações de vulnerabilidade por meio do cuidado coletivo e da integração entre os serviços públicos e a sociedade civil.



