O Rio Grande do Sul registrou dois casos de contaminação por hantavírus até esta segunda-feira (11), ambos na zona rural do Estado. Segundo o governo estadual, um dos casos ocorreu em Antônio Prado e o outro, que resultou em óbito, em Paulo Bento. O governo, no entanto, reforçou que os casos não têm relação com o surto de hantavirose identificado em um cruzeiro que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde no início de abril.
As confirmações no Estado acontecem poucos dias após o Brasil registrar a primeira morte por hantavírus neste ano. A vítima foi um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Conforme a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), ele teve contato com roedores silvestres em uma área de lavoura. A morte ocorreu em fevereiro, e a infecção foi confirmada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). Segundo o governo mineiro, o caso é considerado isolado e não possui relação com outros registros da doença.
Diante disso, o Jornal da Caxias abordou o tema durante entrevista nesta terça-feira (12) com a infectologista da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), dra. Anelise Kirsch. Segundo a médica, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com fezes, urina e saliva de roedores silvestres infectados. A contaminação ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de partículas presentes no ar em ambientes fechados ou com acúmulo de sujeira contaminada. Contudo, Anelise explicou que os casos costumam estar associados ao meio rural.
A médica ainda destacou que a doença pode causar febre alta, dores musculares intensas, dor de cabeça, náuseas, vômitos, tosse seca e falta de ar. Em situações mais graves, o quadro evolui para a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, considerada de alta letalidade. Ainda conforme a infectologista, não existe vacina nem tratamento específico contra a doença. O atendimento precoce, na avaliação da médica, é essencial para aumentar as chances de recuperação.
Apesar da preocupação gerada pelos registros recentes, a especialista foi categórica ao afirmar que não há indicativos de surto ou risco de pandemia. Ela ponderou que “os casos seguem dentro da série histórica do Estado e não existe, neste momento, cenário semelhante ao observado durante a Covid-19”.
A orientação das autoridades sanitárias continua sendo evitar contato com ambientes infestados por roedores, utilizar máscara e luvas durante limpezas em galpões e depósitos e manter atenção aos sintomas após exposição em áreas rurais ou locais fechados.
Dados no Rio Grande do Sul
Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que o Rio Grande do Sul registrou:
* 1 caso em 2020;
* 3 casos em 2021;
* 9 casos em 2022;
* 6 casos em 2023;
* 7 casos em 2024;
* 8 casos em 2025;
* e 2 casos até maio de 2026.
Confira a entrevista completa no Caxias Play
