A Fundação Projeto Pescar completa 50 anos de atuação em 2026 com resultados que evidenciam seu papel na qualificação e inserção de jovens em situação de vulnerabilidade social no mercado de trabalho. Dados de uma pesquisa conduzida pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação e Economia Social (Lepes), da Universidade de São Paulo (USP), reforçam o impacto da iniciativa ao longo das últimas décadas.
O levantamento, que analisou a trajetória de egressos formados entre 2018 e 2024, aponta que nove em cada dez participantes conseguiram emprego após a conclusão dos cursos. A maioria está inserida no mercado formal, com níveis de renda e estabilidade superiores à média de jovens brasileiros.
A pesquisa também destaca ganhos econômicos consistentes. A remuneração média dos egressos é de cerca de R$ 2.488, e, após sete anos, eles chegam a ganhar até 42% a mais do que aqueles que não participaram do programa. Proporcionalmente, para cada R$ 100 recebidos por um jovem no país, um ex-aluno do Pescar ganha, em média, R$ 133.
No campo educacional, os dados indicam avanço significativo. Mais de 75% dos egressos concluem o ensino médio, índice superior ao observado na geração anterior de suas famílias, evidenciando impacto intergeracional. Além disso, sete em cada dez jovens seguem estudando após o término da formação.
Criado em 1976, quando o empresário Geraldo Linck abriu sua empresa para capacitar jovens, o Projeto Pescar consolidou-se como uma rede nacional de formação socioprofissional. Atualmente, está presente em 12 estados e 40 cidades, com unidades instaladas dentro de empresas e organizações parceiras.
O modelo combina capacitação técnica com desenvolvimento de competências socioemocionais, como responsabilidade, comunicação e cooperação — habilidades cada vez mais demandadas pelo mercado de trabalho. As atividades ocorrem no ambiente corporativo, permitindo aos jovens vivenciar a rotina profissional desde o início da formação.
Segundo a presidente da Fundação, Adriana Loiferman, o diferencial está na integração entre educação e prática. “O projeto cria uma ponte entre o jovem e o mundo do trabalho, ampliando perspectivas e oportunidades”, afirma.
Ao longo de cinco décadas, mais de 40 mil jovens já passaram pelo programa. O principal desafio, segundo a instituição, é ampliar o alcance da iniciativa sem perder o acompanhamento individualizado que caracteriza sua metodologia.
Em um cenário de desigualdades sociais e dificuldades de inserção profissional entre jovens, os resultados apresentados reforçam a relevância de políticas e iniciativas voltadas à formação e inclusão produtiva no país.
