O setor de alho no Brasil enfrenta uma grave crise em 2026, marcada por sobreoferta, custos de produção elevados e concorrência com importações, especialmente da Argentina e China. Por estarmos em maio, toda a safra do Sul do Brasil já deveria ter sido comercializada, mas por conta da crise, ainda há um remanescente de cerca de 40% para se comercializar.
Por conta disso, a reportagem da Rádio Caxias conversou sobre o tema com a presidente da Associação Gaúcha dos Produtores de Alho (AGAPA), Franchielli Motter, que é produtora de alho em Caxias do Sul. Ela explicou a questão da concorrência com importações, especialmente da Argentina e China.
Franchielli destacou que o produtor do Sul do Brasil concorre, principalmente, com o alho argentino, o que já dura mais de uma década. Nesse ano, com a crise em outras regiões produtoras do país, esse cenário piorou. Na Serra, ela afirmou que o alho é vendido com cerca de R$5,00 de prejuízo, o que ela classificou como “alarmante”.
A presidente da AGAPA explicou que a luta dos produtores envolve a abertura de uma investigação antidumping (uma medida de defesa comercial aplicada por governos para proteger a indústria nacional de importações com preços artificialmente baixos, prática conhecida como dumping) sobre o alho argentino.
Outro ponto central do pleito é a revisão do mecanismo de compromisso de preço aplicado às importações de alho chinês. Atualmente, o governo brasileiro estabelece um valor mínimo para a entrada do produto no país. No ano passado, esse valor foi fixado em US$ 16,90 por caixa de 10 quilos, sendo posteriormente ajustado para US$ 15,80. Há preocupação de que, na próxima revisão, o preço possa cair para US$ 15.
