A CIC Caxias promoveu um painel para levar aos seus associados os impactos de uma possível aprovação da redução da jornada de trabalho, nesta quinta-feira (23), na sede da entidade. O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, e o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, foram os convidados para expor convicções e estratégias para que a proposta não seja aprovada no Congresso Federal.
Por mais que o entendimento da entidade caxiense seja de que o debate ocorre em um momento errado, por ser ano de eleição, o presidente da Federasul pontuou que é o momento de reverter à discussão em prol das pautas reivindicadas pelos empresários. A realização de uma pesquisa de opinião está na mesa dos representantes patronais, mas em que as perguntas demonstrem que o trabalhador prefere uma renda maior, antes de uma jornada de trabalho reduzida. Isso seria o início para a revisão nos encargos da folha de pagamento, reduzindo os impostos e transferindo esse valor diretamente aos salários.
Já Ivonei Pioner detalhou que estará em Brasília para visitar toda bancada gaúcha, na próxima semana. Ele quer convencer os parlamentares, através de pesquisas realizadas pelo setor varejista brasileiro, de que a medida não vai ser positiva aos trabalhadores. Pioner afirma que a manutenção dos salários não vai agregar ao poder aquisitivo, frente a uma inflação inevitável pelo aumento nos custos de produção. Ele reforça que isso vai aumentar a informalidade e, por isso, o caminho de modernização das leis trabalhistas não podem se resumir simplesmente a um projeto de redução na jornada de trabalho.
O vice-presidente de indústria da CIC, Oliver Viezzer, aponta que os encargos trabalhistas no Brasil são os maiores do Mercosul. Mesmo que a redução da jornada de trabalho seja uma pauta continental, a carga tributária de países que estão nesse processo é menor. Outro ponto levantado é sobre a transição, considerada fundamental em caso de aprovação da iniciativa.
Na próxima reunião dos sindicatos patronais na CIC, um documento vai ser elaborado para definir os posicionamentos e atuações que as entidades vão realizar daqui para frente. No Congresso Federal, uma comissão especial vai ser formada para discutir as PECs e os Projetos de Lei que versam sobre esse tema. Existe uma expectativa que a redução da jornada de trabalho vá ser votada até julho e com uma forte tendência pela aprovação.
