Cinco pessoas foram presas durante a Operação Multiplicação, deflagrada na manhã desta sexta-feira (9) em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. A ação, realizada pelo 4º Batalhão de Polícia de Choque (4º BPChq) e pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), investiga um esquema de empréstimos com juros elevados, extorsão e lavagem de dinheiro que movimentou aproximadamente R$ 32,3 milhões. Do total de prisões, três foram preventivas e duas ocorreram em flagrante por crimes relacionados à posse irregular de armas de fogo.
A investigação é conduzida pelo 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra e tem oito pessoas como alvos. Conforme o Ministério Público, os investigados concediam empréstimos com juros elevados e, posteriormente, exigiam pagamentos sucessivos mediante intimidações e ameaças, inclusive após a quitação dos valores inicialmente acordados. O grupo também teria utilizado vínculos com organizações criminosas para ampliar a pressão sobre as vítimas.
As apurações apontam ainda que o esquema utilizava contas bancarias de pessoas físicas, empresas e terceiros para movimentar os recursos financeiros. Os crimes investigados teriam ocorrido entre janeiro de 2022 e novembro de 2025 e incluem, extorsão, organização criminosa, usura e lavagem de dinheiro. A Operação Multiplicação é um desdobramento da Operação Contas Abertas e busca identificar novas vítimas e rastrear o patrimônio relacionado às atividades investigadas.
Durante a ofensiva, foram cumpridas medidas judiciais em 13 locais nos dois municípios. As equipes apreenderam três armas de fogo, 436 munições de diferentes calibres, carregadores, rádios comunicadores, celulares, documentos e equipamentos eletrônicos. Também foram determinadas a indisponibilidade de três imóveis e de sete veículos vinculados aos investigados, como parte das medidas para atingir a estrutura financeira do grupo.
Entre os materiais recolhidos estão uma pistola calibre 9 milímetros, dois revolveres calibre .38, além de munições. Também foram apreendidos equipamentos de monitoramento, dispositivos de armazenamento de dados, um detector de cédulas e uma peça de vestuário semelhante a uma gandola da Brigada Militar. Segundo o 4º BPChq, quatro pessoas foram presas e conduzidas à Polícia Judiciária nas ações realizadas diretamente pelo batalhão.
A operação teve como objetivo aprofundar a investigação e enfraquecer a estrutura operacional e financeira do grupo. Os suspeitos permanecem à disposição da Justiça, e as apurações seguem sob responsabilidade do Ministério Público.




