As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros causam preocupação na indústria nacional de madeira processada. O segmento, que exporta molduras, estacas, portas e produtos de pinus, é um dos mais afetados pela medida, já que cerca de 83% das exportações passam a sofrer a sobretaxa. A avaliação do setor é de que a perda de competitividade pode provocar prejuízos milionários, comprometer investimentos e colocar em risco milhares de empregos, principalmente na Região Sul, onde está concentrada a produção proveniente de florestas plantadas.
O mercado norte-americano é o principal destino de diversos produtos florestais brasileiros. No caso das molduras, praticamente toda a produção é enviada aos Estados Unidos, enquanto cerca de 90% das portas e aproximadamente um terço das madeira serrada e do compensado também tem o país como principal comprador. Segundo o presidente do Sindimadeira-RS, Leonardo de Zorzi, a indústria vinha conseguindo se recuperar após a redução da tarifa para 10%, aplicada no início do ano, mas a expectativa de que a madeira fosse incluída em uma lista de exceções tarifárias não se confirmou.
De acordo com Zorzi, a preocupação é ainda maior porque uma nova sobretaxa de 12,5%, relacionada a investigações sobre trabalho forçado, poderá entrar em vigor nas próximas semanas, elevando a carga tributária para 37,5%. Diante desse cenário, entidades do setor, federações das indústrias dos três estados do sul e a associação nacional da cadeia produtiva articulam uma mobilização para que o governo federal intensifique as negociações com as autoridades norte-americanas e tente incluir a madeira entre os produtos isentos das tarifas adicionais.
Embora a diversificação de mercados seja uma estratégia permanente das empresas, o presidente do Sindimadeira destaca que substituir os Estados Unidos não é uma tarefa simples. Segundo ele, cada mercado exige adaptações de produto, certificações, construção de relações comerciais e conhecimento do perfil do consumidor, um processo que leva anos.
Para o dirigente, os impactos das tarifas vão além dos números do comércio exterior e atingem diretamente municípios cuja economia depende da indústria florestal. Ele cita cidades dos Campos de Cima da Serra, como São Francisco de Paula, Jaquirana, Bom Jesus e São José dos Ausentes, onde a cadeia da madeira representa uma das principais atividades econômicas.
Por isso, Zorzi defende uma atuação mais firme do governo brasileiro nas negociações com os Estados Unidos, argumentando que, embora o impacto possa parecer limitado em termos nacionais, ele é expressivo para setores e regiões altamente dependentes das exportações.



