Na próxima segunda-feira (27), a Rádio Caxias comemora seus 80 anos de existência. Para falar sobre o rádio, mas mais precisamente a importância da Rádio Caxias para a cidade de Caxias do Sul, para a Região da Serra e o Estado do Rio Grande do Sul, o professor responsável pelo Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS, Luiz Artur Ferraretto, concedeu entrevista ao Jornal da Caxias. Ele é um dos grandes pesquisadores do rádio no Brasil.
O professor contextualizou que até a década de 1930, o Rio Grande do Sul tinha emissoras em Porto Alegre e Pelotas. Completou que, em 1946, com as inaugurações da Rádio Caxias e da Rádio Santa Cruz, em Santa Cruz do Sul, começou a se criar um segundo grupo de emissoras no estado.
Ele relatou que o crescimento do rádio no interior, na década de 1950, resultou em uma força importantíssima para desenvolvimento das cidades. O sucesso dos programas de auditório no rádio brasileiro, replicado pelas emissoras do país, serviu de canal para a produção cultural da cidade. Na Rádio Caxias, a novidade passou a atrair atrações a nível nacional, com as apresentações de nomes como Hebe Camargo e Elis Regina.
Ao abordar as transmissões esportivas, Ferraretto afirmou que o Juventude e o Caxias não seriam o que são sem a Rádio Caxias.
Ele também lembrou que a Caxias conta com o programa mais antigo e ininterrupto do rádio gaúcho, o programa Esportes na Onda. Além disso, apontou que umas das poucas gravações existentes da Copa do Mundo de 50 no RS são do acervo da rádio caxiense.
O professor explicou que, ao passar das décadas, o rádio precisou se adaptar às mudanças tecnológicas. Ele chamou de hibridização do rádio o movimento de convergência com a internet e as transmissões com imagens. O fato, segundo o pesquisador, é uma arma para as emissoras do interior, uma vez que o acréscimo da tela reforça o poder junto à comunidade local.
Sobre os desafios futuros, o professor citou a desinformação e a Inteligência Artificial (IA). A possível substituição da mão de obra pela IA é classificada por ele como antirádio.
Contudo, por fim, ressaltou que a nova tecnologia não deve ser ignorada, mas precisa ser usada corretamente.
Acompanhe, em áudio e vídeo, a entrevista na íntegra ao Programa Jornal da Caxias desta sexta-feira (24)
