O Dia da Infância, celebrado em 24 de agosto e instituído pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), convida a sociedade a refletir sobre a garantia dos direitos das crianças e a importância de assegurar condições para um desenvolvimento pleno, com acesso à alimentação, moradia, educação, cultura e proteção.
No Brasil, o tema segue em evidência diante dos desafios enfrentados na proteção da infância. Conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), são consideradas crianças as pessoas com até 12 anos de idade incompletos. Dados de violações de direitos humanos reforçam a necessidade de ampliar esse debate. Em 2019, das mais de 159 mil denúncias registradas no país, cerca de 86 mil tinham crianças e adolescentes como vítimas, muitas delas relacionadas ao trabalho infantil.
Além das políticas públicas e das ações de proteção, a literatura também tem desempenhado um papel importante na formação emocional das crianças e na promoção da cultura da paz. Um exemplo é o livro Tanta Chuva no Céu, do escritor Volnei Canônica, obra reconhecida nacional e internacionalmente por abordar, de forma sensível, temas como luto, ausência e acolhimento dos sentimentos na infância.
Lançado em 2020, o livro conta a história de uma menina que enfrenta a perda dos pais e precisa reconstruir sua relação com o mundo por meio das memórias e dos afetos. A obra foi premiada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e recebeu reconhecimento da Unesco e de instituições internacionais, tornando-se referência entre educadores, mediadores de leitura e profissionais que atuam com a infância.
A temática dialoga diretamente com os objetivos da Semana Estadual de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz, iniciativa voltada à promoção do desenvolvimento integral das crianças e à construção de ambientes mais acolhedores, seguros e respeitosos desde os primeiros anos de vida.
Segundo Volnei Canônica, a literatura pode ser uma importante mediadora para abordar assuntos que muitas famílias ainda consideram difíceis, como a morte, o medo, a tristeza e a saudade. Para o autor, permitir que as crianças tenham contato com essas questões por meio das histórias favorece o desenvolvimento emocional, fortalece a empatia e amplia a capacidade de compreender os próprios sentimentos.
Um dos diferenciais de Tanta Chuva no Céu é tratar o luto de forma simbólica e delicada, sem mencionar diretamente a morte, respeitando o universo infantil e estimulando o diálogo sobre as emoções. Ao longo dos últimos anos, Canônica recebeu relatos de famílias, professores e instituições que utilizam a obra como ferramenta para auxiliar crianças em momentos de perda, mudanças e outras situações desafiadoras.
Para o escritor, o reconhecimento conquistado pelo livro ajudou a ampliar a discussão sobre a importância de acolher as emoções desde a infância. A proposta reforça que o cuidado integral com as crianças vai além da garantia de direitos básicos, envolvendo também aspectos afetivos, emocionais e sociais, considerados fundamentais para a formação de cidadãos e para a construção de uma sociedade mais humana e menos violenta.



