Após o cumprimento de mandados de busca e apreensão pela Operação Ascaris, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio Grande do Sul (GAECO/MPRS) na última semana, responsável por investigar o desvio de itens doados pelos Estados Unidos e por empresas gaúchas às vítimas das enchentes, a Justiça autorizou, na terça-feira (9), o repasse das 70 caixas com produtos que deveriam ter sido entregues.
Com essa autorização, os donativos passam a ser direcionados a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Conforme a investigação, as doações destinadas às vítimas das enchentes que atingiram o Estado no ano passado teriam sido desviadas por meio de um esquema que envolvia a comercialização dos itens em brechós e Organizações Não Governamentais (ONGs), utilizando “laranjas” que recebiam pagamentos via PIX em nome de terceiros.
Parte do dinheiro arrecadado teria sido usada para a aquisição de veículos, um apartamento e outros bens pela principal investigada. Oito suspeitos, três deles da mesma família, e uma pessoa jurídica são alvos do GAECO. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, além do bloqueio de contas bancárias no valor de R$ 2 milhões.
A investigação segue e apura os crimes de apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro, praticados em contexto de calamidade pública.
