Um estudo realizado por pesquisadores brasileiros aponta que o El Niño de 2026 pode estar entre os mais intensos dos últimos 150 anos e permanecer ativo até o início de 2027. A pesquisa indica 97% de probabilidade de persistência do fenômeno no próximo ano e 81% de chance de atingir intensidade muito forte, cenário classificado como possível “Super El Niño”.
O levantamento foi desenvolvido pelos acadêmicos da Uniasselvi, Fábio Henrique Moisés e Matheus Fernando Cunha, sob orientação do professor Pedro Sidnei Zanchett. De acordo com o professor, a pesquisa utilizou inteligência artificial para analisar dados de órgãos como NOAA, NASA, INPE, Inmet e Cemaden.
Segundo o estudo, o aquecimento do Pacífico Equatorial observado em 2026 apresenta características semelhantes às registradas em eventos excepcionais de 1877, 1982, 1997 e 2015.
O professor ainda destacou que os pesquisadores projetam efeitos diferentes entre as regiões brasileiras. Norte e Nordeste podem enfrentar redução das chuvas e estiagem. Centro-Oeste e Sudeste devem ter mais ondas de calor e irregularidade nas precipitações, com impactos na agricultura. Já no Sul, a tendência é de chuva acima da média e maior risco de enchentes, inundações e deslizamentos.
O cenário também pode provocar aumento dos preços dos alimentos, pressão sobre o sistema elétrico e prejuízos à logística. Na saúde, há risco maior de doenças associadas ao calor, queimadas e enchentes, como dengue, chikungunya, zika e leptospirose.
As projeções são acompanhadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet. Em entrevista à Rádio Caxias, a meteorologista Camila Magalhães afirmou que as mudanças climáticas já contribuem para o aumento da frequência e da intensidade dos eventos extremos.
Segundo ela, o fortalecimento do El Niño deve favorecer chuva acima da média na Região Sul no segundo semestre de 2026. A especialista, no entanto, ressalta que ainda não é possível afirmar que haverá uma repetição das enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024.
Camila explicou que o Inmet monitora as condições atmosféricas por meio de modelos meteorológicos, satélites e radares. Os avisos são classificados em três níveis: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e vermelho, para grande perigo. Os alertas são repassados à Defesa Civil, responsável pela comunicação à população e pelas ações preventivas.
A meteorologista também alerta para informações falsas sobre previsão do tempo nas redes sociais. A orientação é acompanhar os canais oficiais do Inmet e da Defesa Civil e cadastrar o CEP para receber alertas pelo celular, pelo número 40199.
Diante da possibilidade de eventos extremos mais frequentes e intensos, a recomendação é acompanhar os avisos oficiais e, para quem vive em áreas de risco, manter um plano de emergência, conhecer as rotas de evacuação e seguir as orientações da Defesa Civil.
Confira abaixo a entrevista completa no Jornal do Meio-Dia (31-07) | Meteorologista Camila Magalhães:





