A maternidade continua sendo um dos principais obstáculos à progressão profissional de mulheres no Brasil, segundo estudo conduzido pelo Todas Group e a Nexus Pesquisa. O levantamento, que ouviu mais de 1,5 mil mulheres, indica que 8 em cada 10 mães em cargos de liderança afirmam já ter enfrentado barreiras relacionadas ao gênero ao tentar conciliar carreira e maternidade.
De acordo com a pesquisa, mães relatam menor apoio institucional, maior sobrecarga de responsabilidades e mais dificuldades de ascensão na carreira em comparação a mulheres sem filhos. Entre os efeitos mais citados estão a recusa ou desistência de promoções, mudanças de trajetória profissional e interrupções em oportunidades de crescimento. O estudo também aponta que as tarefas domésticas e o cuidado com os filhos seguem concentrados majoritariamente sobre as mulheres, o que amplia o desgaste físico e emocional e impacta diretamente a permanência e o avanço no mercado de trabalho.
Esse cenário é refletido na experiência da advogada previdenciária Ciane Meneguzzi, que relata ter enfrentado desafios ao conciliar maternidade e advocacia. Segundo ela, mesmo já consolidada na carreira quando engravidou, houve episódios de desconfiança profissional e perda de clientes após comunicar a gestação.
Ciane afirma que precisou manter a atuação profissional durante a gravidez e no período pós-parto, mesmo diante de situações críticas envolvendo a saúde dos filhos e de uma rotina marcada por prazos judiciais rígidos. Sem rede de apoio familiar, diz ter enfrentado sobrecarga e a necessidade constante de comprovar sua capacidade profissional.
No exercício da advocacia, ela também aponta a baixa flexibilidade do sistema jurídico em situações de maternidade ou emergências familiares, o que, segundo relata, intensifica a pressão sobre profissionais mulheres. Além disso, destaca que a cobrança pela presença materna não se limita ao ambiente de trabalho, mas também se estende ao convívio social.
Apesar das dificuldades, a advogada afirma não ter interrompido sua trajetória profissional e buscou adaptar a rotina para conciliar os dois papéis. Para ela, a maternidade não deve ser tratada como impedimento à carreira, mas como uma realidade que exige maior adaptação institucional e mudanças estruturais para garantir maior equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.
Confira aqui a entrevista completa.
