A psicóloga e doutora em Psicologia pela PUCRS com formação em terapia de família e casais, Fabiana Verza, abordou a expectativa versus a realidade nas relações conjugais em entrevista ao Jornal da Caxias. O mês de janeiro registrou um aumento dos casos de divórcios.
A especialista pontuou que a escolha do mês pode ser um símbolo estrutural das pessoas que também prometem mudanças para vida a partir do ano que se inicia. Fora isso, ela apontou que é muito mais fácil analisar as crises conjugais por faixas etárias ou gênero do que pelo período do ano. Inclusive, a busca por salvação dos relacionamentos não tem como prioridade o mês de janeiro. Março, abril, outubro e novembro lideram a procura pela terapia de casais.
Na opinião dela o número de divórcios está aumentando, pois as pessoas estão se dando conta que a unidade emocional precisa de muitos estímulos e independem apenas da questão conjugal. Completou que a solidez de um relacionamento maduro envolve muitas tarefas, mas isso nem sempre acontece, pois muitas variáveis são herdadas e as pessoas são muito diferentes. Incentivo, trocas e admiração são necessárias e raras em um mundo cada vez mais competitivo e egocêntrico.
Fabiana explicou que primeiro as pessoas precisam se conhecer, antes de chegar até a terapia de casal, para conseguir entregar para mediadora as informações necessárias. Enquanto alguns buscam ajuda para salvar a relação, outros apenas para terceirizar o fim. De acordo com ela, o tempo ideal para procurar assistência é quando ainda existir amor e esperança, ou quando se quer encerrar de forma respeitosa.
Outro fator agravante apontado pela especialista é que se antes as crises ocorriam com pessoas reais, agora as telas e o digital fazem parte de triangulações amorosas e as curtidas podem arruinar relações.
Por fim, ela ensinou que ninguém nasce sabendo amar e é necessário entender a pedagogia do amor.
