A Reportagem Especial deste final de semana fala sobre fé, que normalmente é associada ao uma busca interior por algo que faço sentido ou traga um conforto real para entenderes da vida, ajudando a lidar com situações que, as vezes, parecem insuportáveis de suportar. Nesses momentos, a espiritualidade costuma ser um ponto de equilíbrio nessa busca que transcendem aquilo que podemos tocar e ou enxergar com os olhos humanos, é como diz o velho ditado, primeiro você coloca o pé e depois deus coloca o chão.
Dentro da fé cristã, a figura de Jesus Cristo estabelece essa conexão do mundo real com o mundo espiritual. E no catolicismo alguns elementos tais como: imagens, templos, ritos e etc ajudam os fieis a encontrar um caminho para a fé. Mas, essas excreções de fé, muitas vezes também acabam se transformando em um nicho de mercado, mais especificamente voltado ao turismo relegioso. Na Serra Gaúcha, um exemplo disso é o Monte Calvário, localizado na cidade de São Marcos que fica, a 37km de Caxias do Sul, o acesso se vai para a Br116 sentido Caxias a São Marcos. Construído em 27 de abril de 1952, ele possui cerca de 130 metros de altura e é principal palco das celebrações da semana santa na cidade.
Em entrevista à Rádio Caxias, o padre Norberto Coltro, da Paróquia da Igreja Matriz de São Marcos, ressaltou a importância do turismo religioso para a valorização dos símbolos de fé da região. Segundo ele, o Monte Calvário se destaca como um dos principais pontos turísticos do município, atraindo visitantes interessados na religiosidade, na espiritualidade e na história local.
O Monte Calvário abriga também as 15 estações da Via-Sacra, esculpidas em pedra, que representam diferentes momentos da Paixão de Cristo em seu caminho até a Cruz, retratando o sofrimento vivenciado até a crucificação. O local recebe peregrinos para momentos de oração, reflexão e contemplação, proporcionando, ainda, uma vista panorâmica privilegiada da região.
A reportagem também conversou com o secretário de Cultura, Desporto e Turismo de São Marcos, Vinicius Pedroso, que destaca que o Monte Calvário é um dos principais pontos de encontro da comunidade, especialmente no final da tarde e aos finais de semana. O local atrai moradores e visitantes que buscam momentos de lazer e contemplação, seja para apreciar o tradicional chimarrão ou para desfrutar da vista panorâmica de toda a cidade de São Marcos.
Ainda na Serra Gaúcha outro ponto turistico importante de fé e destino de turismo religioso: É o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, A CERCA DE 25 km de Caxias do Sul, localizado no município de Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Considerado um dos principais locais de peregrinação da região, o santuário recebe anualmente milhares de fiéis e visitantes. O acesso ao local é realizado pela BR-122, estando o santuário situado a cerca de 5 a 6 km do centro de Farroupilha.
A Rádio Caxias conversou com o reitor do Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, padre Ricardo Fontana, que destacou a importância histórica e religiosa da imagem da santa, cuja devoção atravessa gerações há mais de 600 anos. Segundo ele, Nossa Senhora de Caravaggio representa um símbolo de fé, esperança e proteção, especialmente para aqueles que enfrentam dificuldades e encontram na espiritualidade um amparo para suas vidas.
Fundado no final do século XIX, o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio nasceu da devoção dos imigrantes italianos que, ao chegarem à Serra Gaúcha, trouxeram consigo a fé, a tradição e os valores cristãos, transmitidos de geração em geração. Em 1879, pouco após a chegada dos colonos à região, foi erguida uma pequena capela de madeira, destinada às celebrações religiosas da comunidade. Entre os anos de 1889 e 1890, diante do crescimento da comunidade e da consolidação da devoção, foi construído um templo de alvenaria, que substituiu a antiga capela. Em 26 de maio de 1921, a igreja recebeu oficialmente o título de Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, marco significativo na história religiosa da comunidade e na consolidação da devoção à padroeira. Em 2027, o Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio celebrará 106 anos desde a concessão oficial do título de santuário, reafirmando sua importância histórica, religiosa e culturalna região.
A reportagem também conversou com o padre Renan Dalagnol, que destacou a importância histórica e religiosa do Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio. Segundo ele, o local é marcado, há gerações, por relatos de milagres, curas e pela devoção à padroeira.
O último local visitado pela reportagem foi o Eremitério Frei Salvador Pinzetta, na cidade de Flores da Cunha, cerca de 20km de Caxias do Sul. Um espaço dedicado à reflexão e à fé, em meio a natureza e localizado no alto de uma colina, no interior do municipío. Antigamente, os freis capuchinhos utilizavam a área para o cultivo de legumes, hortaliças e vegetais. O local foi criado a mais de 70 anos pelo Frei capuchinho Agostinho Bizotto. O espaço até hoje em dia abriga uma capela com um pequeno altar de pedra e a imagem de Nossa Senhora de Fátima, atraindo milhares de visitantes em busca de silêncio, contemplação e conexão com a natureza.
Em meio a tantas histórias, conversamos com o Sacerdote da Ordem dos Freis Menores Capuchinhos, Frei Vandrigo Zacchi, que explicou a origem da palavra Eremitério. De origem latina, o termo está relacionado à palavra ermo, que significa lugar isolado ou distante. Historicamente, esses locais eram habitados por eremitas, pessoas que buscavam o afastamento da sociedade para se dedicar à oração, à contemplação e à vida espiritual.

Nascido Hérminio Pinzetta em Casca no Rio Grande do Sul, Frei Salvador Pinzetta dedicou sua vida ao trabalho cotidiano no convento em Flores da Cunha. Reconhecido por sua humildade e caridade, foi declarado venerável pelo Vaticano. O local onde hoje fica o eremitério era originalmente uma grande horta cultivada pelos Freis Capuchinhos, um espaço afastado e simples onde Frei Salvador trabalhava na terra, rezava e cultivava hortaliças, flores e árvores frutíferas.
O local começou a ser idealizado como um refúgio contemplativo há mais de 70 anos por Frei Agostinho Bizotto e, após a morte de Frei Salvador em 31 de maio de 1972, transformou-se em um marco de peregrinação. Hoje é o ponto de chegada da tradicional Romaria Vocacional Frei Salvador, realizada anualmente no dia de Corpus Christi, reunindo milhares de fiéis.

