Nos últimos dias uma polêmica envolveu a área política e a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Diante do ocorrido, o escritor e jornalista Rodrigo Alvarez abordou a história da Santa em entrevista ao Jornal da Caxias. Ele é autor de um livro. A obra se chama Aparecida: A biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil.
O jornalista explicou que a entrada de Nossa Senhora na disputa eleitoral decorreu de uma fake news, uma vez que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) desmentiu a informação. Boatos que circularam nas redes sociais apontaram que, caso eleito, ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Por outro lado, o jornalista pontuou que, quando surge algo que reverbera tanto, pode ter um fundo de verdade. De acordo com ele, há esse sentimento em parte da população brasileira que acredita que a Santa não merece o título e que não se pode dar esse privilégio a um símbolo católico.
O escritor lembrou que a imagem da santa já sofreu diversos ataques. Um deles em 1978, quando um jovem de 19 anos avançou em direção à Santa no altar e após retira-lá do local, conseguiu arremessar Nossa Senhora no chão, quebrando em mais de 200 pedaços.
Contudo, Alvarez afirmou se tratar de um grande equívoco com a história do país, pois o Brasil foi construído por jesuítas que vieram junto com os portugueses.
O autor do livro relembrou a história da Santa. Pesquisas apontam que a imagem original foi construída por volta do ano de 1.650 por um padre e retratava Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal. Acredita-se que a imagem foi jogada no Rio Paraíba do Sul, após ter caído no chão e ter o corpo separado da cabeça, afinal, era sinal de mau agouro na época. Após ser encontrada por pescadores a imagem, que já saiu sem a tinta original, foi levada para um oratório e começou a ser cultuada com velas em volta. Com isso, a Santa escureceu.
Alvarez indicou que Aparecida reflete a imagem do povo brasileiro que é composto por uma população mestiça. A popularização da Santa, segundo ele, ocorreu em razão da localização geográfica, no centro de um triângulo entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, durante a ditadura militar ocorreu uma peregrinação por todo o país.
A legislação federal que reconhece oficialmente Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil é a Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980. Além disso, ela foi proclamada Rainha e Padroeira do Brasil por um decreto do Vaticano em 1930. O ato canônico foi assinado pelo Papa Pio XI em 16 de julho daquele ano.
O jornalista irá ministrar um curso sobre Aparecida entre os dias 16 e 18 de outubro, pelo zoom. Em seis horas ele irá abordar a história e os cerca de quatro mil milagres atribuídos. As inscrições podem ser realizadas pelo Instagram do jornalista ou pelo rodrigoalvarez.site.
Acompanhe, em áudio e vídeo, a entrevista na íntegra ao Programa Jornal da Caxias desta sexta-feira (2).





