A escalada do conflito no Oriente Médio, iniciada após ataques dos Estados Unidos e Israel, provoca efeitos diretos sobre a economia gaúcha. A principal preocupação está no bloqueio do Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Giovani Baggio, em entrevista ao Jornal da Caxias, fez uma avaliação do cenário e dos reflexos internos. Entre os impactos, ele apontou o aumento da incerteza global e a elevação dos custos.
Baggio lembrou que 35% da carne de frango do RS tem como destino o Oriente Médio.
Além disso, a importação de insumos para fertilizantes tem a região como origem. O economista lembrou que o setor agropecuário gaúcho sofreu recentemente com estiagens e enchentes e não está conseguindo se recuperar.
Para o especialista, as rotas alternativas podem ser uma opção, mas não são implementadas de forma imediata. Além disso, resultam, da mesma forma, em um aumento dos preços. Como exemplo, ele citou a Arábia Saudita, que tem parte do território voltado para o Golfo Pérsico, com entrada pelo Estreito de Ormuz, mas que também faz divisa com o Mar Vermelho, no lado Oeste, onde parte do escoamento da produção está sendo direcionado.
Grandes eventos mundiais, como a guerra, de acordo com Baggio, nos levam a refletir sobre a dependência comercial de um grupo de países para alguns insumos básicos. Nesse cenário, ele apontou a necessidade de destravar investimentos, inclusive no RS.
Com o custo logístico presente em praticamente toda a economia nacional, Baggio alertou que a alta nos preços não irá demorar em chegar e já atingiu o setor de combustíveis. Inclusive, ele projetou que pode haver falta nas próximas semanas.

Acompanhe, em áudio, a entrevista na íntegra ao Programa Jornal da Caxias desta segunda-feira (23). Também acompanhe pelo Caxias Play no YouTube
