Na última segunda-feira (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da jornada de trabalho em escala 6×1. A proposta visa assegurar dois dias de folga remunerados para os trabalhadores a cada cinco dias trabalhados.
Embora tenha apoio de trabalhadores, o fim da escala 6×1 preocupa empresários e setores da indústria e comércio devido à necessidade de readaptação da força de trabalho. O regime atual exige seis dias trabalhados para um dia de descanso.
Em entrevista à reportagem da Rádio Caxias, o presidente da Federação dos Empregados no Comércio do RS (Fecosul) e vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil do RS (CTB-RS), Guiomar Vidor, manifestou-se favorável ao fim da escala 6×1. Os motivos apontados são: melhor qualidade de vida para o trabalhador e pouco impacto na economia, já que, segundo ele, a tecnologia avançou muito nos últimos anos elevando os níveis de produção, possibilitando a redução na escala de trabalho.
Segundo o site nacional da CTB, o fim da escala 6×1 é tema prioritário na central:
“O fim da desumana escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários está na ordem do dia em nosso país. A proposta avança no Congresso Nacional, conta com o apoio ativo do presidente e do governo Lula e é uma batalha prioritária da CTB, centrais sindicais e movimentos sociais.”
Já o presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, também em conversa com a reportagem da Caxias, manifestou-se contrário ao fim da escala 6×1. Ele argumentou que o Brasil enfrenta um grave problema com milhões de pessoas recebendo auxílios assistenciais e vivendo na informalidade, e que a redução na escala de trabalho resultaria em maiores prejuízos na economia do país.
A Federação Verejista do RS se manifestou com uma nota de repúdio sobre o fim da escala 6×1 em suas redes sociais:
“A Federação se posiciona contra o fim da escala 6×1 previsto na PEC 8/2025, apensada à PEC 221/2019, que tenta mudar a jornada para 4×3 de forma abrupta.E aqui vai o ponto que precisa ficar claro. Isso não é resistência a mudanças. É responsabilidade com quem trabalha e com quem empreende. Sem enfrentar os gargalos do Custo Brasil, infraestrutura, tecnologia, infraestrutura e qualificação, reduzir horas por lei tende a aumentar custo, apertar o caixa e empurrar empresas para decisões duras. Menos contratações, mais informalidade e mais negócios fechando.A Federação Varejista do RS está fazendo sua parte também no diálogo institucional. No dia 11/02, enviamos aos deputados federais e senadores um ofício manifestando nossa contrariedade e reforçando a necessidade de debate técnico, com dados e previsibilidade, não decisão apressada em ano eleitoral.
Defendemos diálogo, construção responsável e a rejeição da PEC 221/2019 e apensados.”
