Celebrado nesta quinta-feira, 15 de outubro, o Dia do Professor é uma oportunidade para refletir sobre os desafios enfrentados pelos profissionais que atuam na educação. Além de transmitir conhecimentos, os professores participam da formação cidadã e do desenvolvimento de crianças, adolescentes e jovens. Em meio às transformações da sociedade, a profissão enfrenta questões que vão desde o engajamento de novos profissionais até as mudanças na dinâmica de ensino dentro das salas de aula.
Professora há quase três décadas na rede pública, Carla Sasset destaca que a realidade da educação precisa ser compreendida a partir do cotidiano das escolas. Para ela, é nesse ambiente, entre salas de aula, corredores e universidades, que os desafios se tornam mais evidentes.

Segundo Carla, um dos primeiros obstáculos é engajar as pessoas no processo de ensino e aprendizagem. A questão, conforme a professora, vai além do reconhecimento profissional e da remuneração, envolvendo também o compromisso com a educação e a disposição para construir o conhecimento junto aos estudantes.
Outro aspecto que faz parte da rotina educacional é a presença cada vez maior da tecnologia. Com a internet inserida no cotidiano dos estudantes, os professores precisam lidar com novas formas de acesso à informação e com a troca de conhecimentos entre diferentes gerações.
Carla ressalta, porém, que a tecnologia não é uma condição obrigatória para que uma aula seja efetiva. Na avaliação da professora, os recursos digitais podem contribuir com o aprendizado, mas não substituem práticas tradicionais que continuam tendo importância no desenvolvimento dos alunos, como a escrita à mão, a boa caligrafia e a organização do caderno.
Além dos desafios em sala de aula, a falta de novos profissionais também acende um alerta para o futuro da educação brasileira. O chamado “apagão” de professores, antes associado principalmente à redução do número de estudantes nos cursos de licenciatura, envolve também o envelhecimento dos docentes que já atuam na educação básica e a diminuição da presença de profissionais mais jovens.
Dados divulgados pelo Instituto Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil, em setembro de 2026 mostram essa mudança no perfil dos professores do ensino médio. Entre 2015 e 2023, o número total de docentes que atuavam nessa etapa de ensino cresceu 6,6%. No entanto, o levantamento aponta uma queda de 31,1% no número de profissionais com até 24 anos, passando de aproximadamente 17 mil para 12 mil.
Na outra ponta, o número de professores com 60 anos ou mais aumentou 104,5% no mesmo período, passando de cerca de 18 mil para 37 mil profissionais.
Os números reforçam a preocupação com a renovação do quadro docente, especialmente diante da perspectiva de aposentadoria de parte dos profissionais que estão há mais tempo na carreira e da menor presença de jovens no início da trajetória profissional.
Representante da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), com sede em Caxias do Sul, Carla também chama a atenção para a complexidade de estar à frente de uma sala de aula no contexto atual. Ela define a experiência como uma verdadeira aventura e reforça que a educação não é uma responsabilidade exclusiva da escola.
Para a professora, é fundamental que as famílias estejam próximas do ambiente escolar e que exista uma continuidade entre os ensinamentos transmitidos em casa e aqueles desenvolvidos pelos educadores. A parceria, segundo ela, é essencial para a formação dos estudantes.



