Em entrevista à Rádio Caxias, psicóloga destaca que o luto não tem prazo determinado e alerta para frases que podem intensificar o sofrimento de quem enfrenta uma perda.
Celebrado em 2 de novembro, o Dia de Finados tem origem na Europa medieval e chegou ao Brasil por influência dos colonizadores portugueses. A tradição de visitar cemitérios e homenagear pessoas falecidas com flores e velas foi incorporada aos costumes brasileiros. A data é feriado nacional, conforme a Lei nº 10.607, de 19 de dezembro de 2002.
Além das homenagens, o período pode intensificar a saudade e os sentimentos relacionados à perda de pessoas próximas. Os desafios de enfrentar a ausência, o tempo necessário para lidar com o luto e as formas de acolher quem passa por esse processo foram temas de entrevista com a mestra em Psicologia Clínica e especialista em Luto Luana Dondé Tochetto Scopel, no Jornal do Meio-Dia, da Rádio Caxias, nesta sexta-feira (30).
Segundo a especialista, o luto é um processo individual, sem prazo determinado para terminar. Com o tempo, a pessoa pode aprender a conviver com a ausência e retomar as atividades cotidianas, sem que isso signifique o fim da saudade.
“Não dizemos que o luto termina ou que se cura. Assim como o amor permanece mesmo com a morte, o luto também pode permanecer ao longo da vida”, explicou.
Luana destaca que datas comemorativas e momentos associados a lembranças podem intensificar o sofrimento, mesmo após um longo período da perda. Nessas situações, a adaptação à ausência pode exigir novas formas de lidar com as emoções.
Acolhimento exige escuta e respeito
A dificuldade de saber o que dizer a alguém que perdeu uma pessoa querida também foi abordada na entrevista. Para a psicóloga, o apoio não depende necessariamente de encontrar as palavras certas, mas de demonstrar disponibilidade e respeitar as necessidades de quem está enlutado.
Entre as formas de acolhimento estão ouvir sem julgar, oferecer companhia e ajudar em tarefas práticas do cotidiano. A especialista ressalta, porém, que cada pessoa reage de maneira diferente: enquanto algumas procuram conversar, outras precisam de silêncio e espaço.
Luana também alerta para expressões comuns usadas na tentativa de confortar, como “tenha força”, “o tempo cura tudo” e “foi melhor assim”. Embora geralmente sejam ditas com boa intenção, essas frases podem minimizar a dor de quem enfrenta a perda.
A recomendação é evitar comparações e cobranças, reconhecendo o sofrimento sem impor expectativas sobre como ou quando a pessoa deve superar a ausência.
Circunstâncias da morte podem influenciar o processo
As circunstâncias da perda também podem interferir na adaptação à ausência. Conforme Luana, mortes inesperadas podem tornar esse processo mais difícil, especialmente quando não há tempo para se preparar para a despedida.
Nos casos em que a morte ocorre após um período prolongado de doença ou envelhecimento, os familiares podem ter mais tempo para assimilar a possibilidade da perda. Isso, entretanto, não significa que o sofrimento seja menor.
A especialista ressalta que não é possível estabelecer uma medida para comparar a dor de pessoas diferentes. A intensidade do luto está relacionada ao vínculo afetivo, à história de cada pessoa e ao significado da relação com quem morreu.
Finados reforça a importância do acolhimento
Com a proximidade do feriado, a orientação é que familiares e amigos estejam atentos às necessidades de quem enfrenta o luto, especialmente em períodos marcados por lembranças e homenagens.
Para Luana, respeitar o tempo de cada pessoa é fundamental para oferecer apoio sem aumentar o sofrimento. O Dia de Finados pode ser uma oportunidade para recordar quem partiu, preservar memórias e reconhecer que a saudade faz parte da experiência da perda.
A especialista recomenda que a data seja vivenciada com respeito, escuta e acolhimento, sem julgamentos sobre a maneira como cada pessoa expressa seus sentimentos.
Confira aqui a entrevista completa.



