A prevenção da gravidez na adolescência é o tema central da Semana Latino-Americana de Prevenção da Gravidez na Adolescência, realizada de 16 a 22 de setembro. O período também abre espaço para discutir uma etapa que começa após o nascimento e pode trazer dúvidas e desafios: a amamentação.
A orientação ainda durante a gestação pode preparar a mulher para as primeiras mamadas. Questões como a pega do bebê, a produção de leite, a dor e o apoio da família influenciam diretamente a experiência com o aleitamento.
No Brasil, o incentivo à amamentação ganhou destaque com o Agosto Dourado, criado pela Lei nº 13.435/2017. Para a coordenadora assistencial do Hospital Maternidade Paulino Werneck, Graziela Abdalla, porém, a atenção ao aleitamento deve continuar durante todo o período em que mãe e bebê estiverem envolvidos nesse processo.
A recomendação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde é de aleitamento materno exclusivo até os seis meses. O leite materno ajuda a proteger contra infecções, diarreia e alergias, além de contribuir para o desenvolvimento da musculatura da face e da mandíbula.
Segundo Graziela, a sucção durante a mamada auxilia na formação do palato e em funções importantes para o desenvolvimento, como fala e mastigação. A amamentação também fortalece o vínculo entre mãe e filho. A liberação de ocitocina durante a mamada favorece a aproximação, ajuda na regulação das emoções do bebê e pode reduzir o estresse e a ansiedade da mãe.
Conforme Graziela, a dor é um dos sinais que merecem atenção desde as primeiras mamadas. Apesar de ser comum ouvir que o desconforto faz parte do início da amamentação, Graziela alerta que amamentar não deve ser doloroso.
O formato do mamilo após a mamada também pode indicar problemas na pega. Se ele ficar achatado, pode haver dificuldade na forma como o bebê está abocanhando a mama. Com a pega adequada, o bebê consegue retirar o leite com mais eficiência e a mãe tende a sentir menos desconforto.
A profissional alerta que um erro comum é procurar ajuda apenas quando a dificuldade já está avançada. Dor, mamilo achatado, dúvidas sobre a alimentação ou a sensação de que algo não está funcionando bem já são motivos para buscar orientação.
A recomendação é procurar a equipe de saúde o quanto antes. Para Graziela, a unidade de saúde deve fazer parte do processo de prevenção, e não ser procurada somente quando o problema se torna grave.
A rede de apoio também é fundamental. Embora a mãe seja responsável pela amamentação, outras tarefas podem ser compartilhadas, como dar banho, trocar fraldas, cuidar da casa e auxiliar na alimentação da mulher.
Os familiares também podem ajudar a identificar os primeiros sinais de fome do bebê. O choro é considerado um sinal tardio, e reconhecer os sinais precoces pode facilitar o momento da mamada.
É importante ainda que a família siga as orientações dos profissionais de saúde, evitando informações contraditórias baseadas apenas em experiências de outras gerações, inclusive, dizendo que o leite da mãe é fraco.
A Semana Latino-Americana de Prevenção da Gravidez na Adolescência reforça a importância da informação e do acompanhamento. Para as mulheres que já estão grávidas, esse cuidado continua depois do nascimento.
Preparar a gestante para a amamentação, orientar sobre a pega, identificar sinais de alerta e envolver a família são medidas que podem prevenir dificuldades nos primeiros dias de vida do bebê.
Assim, embora o Agosto Dourado concentre as campanhas de incentivo ao aleitamento, a amamentação permanece um tema importante durante todo o ano. Mais do que alimentação, envolve proteção contra doenças, desenvolvimento, vínculo e uma rede de apoio para que mãe e bebê atravessem os primeiros meses com mais segurança.



