O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) alerta para o avanço de procedimentos médicos e estéticos realizados por profissionais sem formação ou habilitação específica. Segundo a entidade, o tema também está em discussão no Congresso Nacional, com diferentes categorias buscando ampliar suas atribuições.
Em entrevista à Rádio Caxias, o presidente do Cremers, Régis Angnes, citou os biólogos, que, segundo ele, buscam autorização para realizar determinados procedimentos estéticos. Enfermeiros, fisioterapeutas e farmacêuticos também foram mencionados.
Angnes afirma que a preocupação aumenta quando são realizadas intervenções invasivas ou de maior complexidade, como aplicação de toxina botulínica, tratamento de varizes e procedimentos estéticos no rosto. Segundo ele, há relatos de pacientes com necrose, deformidades e até perda da visão após procedimentos realizados por pessoas que, de acordo com o Cremers, não tinham habilitação para essas práticas.
O presidente do Cremers também alerta para a oferta de procedimentos pelas redes sociais. Ele recomenda que os pacientes verifiquem a formação e a habilitação do profissional antes de contratar qualquer serviço.
No caso dos médicos, a consulta pode ser feita no cadastro oficial do Cremers, pelo nome ou número do CRM, inclusive para verificar o registro de especialidade e a formação compatível com o procedimento oferecido.
Angnes também critica a realização de procedimentos médicos em locais sem estrutura adequada, citando inclusive salões de beleza. Para ele, cada profissional deve atuar dentro dos limites de sua formação, ainda que diferentes áreas da saúde possam trabalhar de forma integrada.
O presidente do Cremers ainda citou uma disputa judicial envolvendo procedimentos estéticos faciais realizados por dentistas. Segundo Angnes, o Conselho Federal de Medicina e os Conselhos Regionais questionaram a prática na Justiça e obtiveram, na última semana, uma decisão favorável à categoria médica.
O Cremers orienta que possíveis casos de exercício ilegal da Medicina sejam denunciados à entidade. As denúncias são investigadas e, quando há indícios de irregularidades, podem ser encaminhadas ao Ministério Público.
A principal recomendação aos pacientes é conferir formação, registro e habilitação profissional antes de realizar procedimentos médicos ou estéticos, sem se limitar às informações divulgadas nas redes sociais.
Confira aqui a entrevista completa.



